domingo, dezembro 30, 2007
Jorge Palma recebe o Duplo Platinado "Voo Nocturno" Video
sábado, dezembro 29, 2007
'Té Já- 30 anos
Meu amor,
Parece que agora vou seguir sem ti
Subir e descer,
Correr na lama e voar outra vez...
Sei muito bem onde quero chegar
E sei que não há tempo a perder
Que a tua voz me possa encorajar!
Meu amor,
Agora não fiques para ai a dormir...
Um fato de marinheiro
Não chega para se entender o mar.
Espero que aprendas bem a remar
E espero que a luz do teu farol
Te possa sempre iluminar!
sexta-feira, dezembro 28, 2007
'Té Já - 30 anos
Sim, meu amor, está bem meu amor
Eu sei que tu tens razão
Dizia-te eu, às vezes, para acabar com a discussão...
E lá íamos vivendo
Entre dois copos e um bom colchão
Um futuro à nossa frente
E muito amor para mostrar a toda a gente.
Como era bem vivermos a dois
Sem nos darmos mal
(Uma canção estrangeira e um filme antigo no telejornal),
E uma noite tu disseste:
Já dei p'ra ti, meu... vou arrancar!
E lá fiquei eu, sozinho
A conversar com os meus botões
E a tentar descobrir a causa
Que nos levou a tal situação...
Já achei uma ideia que é bem capaz
De ser a solução:
Acho que nós passamos muito tempo
A misturar tripas com coração
E a verdade é bem diferente.
Para haver amor, não pode haver o-briga-ção.
quinta-feira, dezembro 27, 2007
'Té Já - 30 anos
Eles Já Estão Fartos
Dizes que é uma miséria veres os teus próprios filhos
Transformados em vadios e drogados
O teu orgulho de pai está ferido
Apressas-te a culpá-los, mais à sua geração
Por não quererem alinhar na engrenagem
Que eles viram esmagar o teu pobre coração
Eles já estão fartos de saber o que tu queres deles
Eles já estão fartos de saber quem quer vendê-los
Eles já estão fartos de ouvir dizer: tem que ser
E agora eles tentam viver doutra maneira qualquer
Faz-te imensa confusão vê-los andar pelas ruas
Com o olhar fixo em qualquer ponto do espaço
E umas maneiras tão diferentes das tuas
Faz-te imensa confusão vê-los tristes e cansados
Para ti, eles não passam de uns preguiçosos
Contagiados pelas más companhias
Eles já estão fartos de saber o que tu queres deles
Eles já estão fartos de saber quem quer vendê-los
Eles já estão fartos de ouvir dizer: tem que ser
E agora, eles tentam viver doutra maneira qualquer
Quem é que os levou a ser assim tão frios e indiferentes
Para com os pais que tanto se esforçaram
Para que eles pudessem vencer toda a gente?
Quem é que os levou a ser tão ingratos e egoístas
Para quem não olhou a sacrifícios
Para que os seus filhos dessem nas vistas?
Eles já estão fartos de saber o que tu queres deles
Eles já estão fartos de saber quem quer vendê-los
Eles já estão fartos de ouvir dizer: tem que ser
E agora eles tentam viver doutra maneira qualquer
Eles já estão fartos de saber que a Guerra existe
Eles já estão fartos de saber que a Fome existe
Eles já estão fartos de saber que a Família existe
Eles já estão fartos de saber que a Igreja existe
Eles já estão fartos de saber que o Estado existe
Eles já estão fartos de saber o que os deixam fazer
Eles já estão fartos de saber o que os deixam fazer
Eles já estão fartos de saber o que os deixam fazer
terça-feira, dezembro 25, 2007
'Té Já- 30 anos
Eu sei lá
Se tu te estás bem nas tintas para aquilo que eu vou dizer.
Eu sei lá
Se vais fazer duas fintas, embarcar no teu copo e esquecer ...
Mas mesmo assim vou-te contar
A história de um homem vulgar
Que se convenceu que um dia um dia havia de enriquecer
E o gajo andou de lugar em lugar,
Passou toda a vida a fuçar,
Para poder comprar um caixão de luxo e adormecer.
Eu sei lá
Se uma jogada financeira chega a fazer alguém enlouquecer.
Mas eu já sei
Que existem muitas maneiras de enganar os cegos que não querem ver.
Neste preciso momento,
Os magnates do cimento
Discutem sobre a morte de mais um pomar.
Num gabinete fechado,
Os donos de um outro mercado
Decidem onde e quando outra guerra vai começar...
O Blogue Palmaníaco aproveita para desejar a todos um Bom Natal
segunda-feira, dezembro 24, 2007
'Té Já- 30 anos
A coisa assim não dá, disse-me um dia o meu pai
Tu vives em sociedade e tens que perceber
Que as regras são para se cumprir... não sei se tu estás a ver, pá...
Ah, ah! - disse eu - Estou a ver muito bem...
Mas já agora diz lá que culpa tenho eu
Que no teu jogo existam cartas que não fazem sentido no meu...
Podem falar, podem falar,
Que o meu lugar é andar e o meu passo é correr
De vez em quando a cantar de vez em quando a sofrer.
Podem falar, podem falar,
Mas estão a perder tempo se pensam que um dia me hão-de amarrar.
As principais capitais aprendi eu no liceu,
Vi retratos de reis em tronos de ouro e marfim,
Mas ninguém me ensinou a nadar no rio que nasce dentro de mim.
Um dia pus-me a lutar, com as minhas contradições
Estive quase a morrer, mas acabei por escapar.
Para quem ama a liberdade o importante é nunca parar
Podem falar, podem falar,
Que o meu lugar é andar e o meu passo é correr
De vez em quando a cantar de vez em quando a sofrer.
Podem falar, podem falar,
Mas estão a perder tempo se pensam que um dia me hão-de amarrar.
Já vi muita gente a tentar agradar
A todo o gajo que pensa que nasceu para mandar,
Mas tenho visto muita gente que está só, a morrer devagar,
E a distância que existe entre o não ser e o ser
É uma questão de não se ter medo de ir longe demais.
O que ainda não tem preço é sempre o que vale mais.
Podem falar, podem falar,
Que o meu lugar é andar e o meu passo é correr
De vez em quando a cantar, de vez em quando a sofrer.
Podem falar, podem falar,
Mas estão a perder tempo se pensam que um dia me hão-de amarrar.
domingo, dezembro 23, 2007
Jorge Palma recebe o Duplo Platinado "Voo Nocturno"
A sua actuação valeu-lhe múltiplos aplausos por parte do público que mais uma vez se empolgou com este Encosta-te a mim.
'Té Já - 30 anos
Ainda Há Estrelas No Teu Olhar (I)
Sei que estás a sofrer
Que o teu homem foi-se embora outra vez
Partiu como um furacão
E tu só pensas no bem que ele te fez...
Tentas dormir
Mas o teu sono parece ter voado com ele
E a noite colou-se às tuas costas
Ai, disforme como um pesadelo.
Mas, ouve bem, meu amor:
Não é tarde para sorrires outra vez
Ainda há estrelas no teu olhar
E tu, conta lá como foi
Daquela vez que te deitaram abaixo
Não foi granada nem bala, não...
Foi só a perda de um pequeno tacho
Pobre de ti
Ficaste a refilar na bicha para um lugar ao sol (pois foi)
Continuas na sombra
E o teu corpo está cada vez mais mole.
Mas, ouve bem, meu irmão:
Não é tarde para sorrires outra vez
Ainda há estrelas no teu olhar
A ti, conheci-te num bar
Conversei contigo à beira do rio
O teu casaco era de pele
Mas nos teus olhos havia frio
Tu queres ser quem és
Mas o teu velho quer que sejas engenheiro
E tu sentes-te só
Como uma agulha num palheiro
Ouve lá bem, meu irmão:
Não é tarde para sorrires outra vez
Ainda há estrelas no teu olhar
sábado, dezembro 22, 2007
Jorge Palma na Blitz de Janeiro

sexta-feira, dezembro 21, 2007
'Té Já - 30 anos
1)Ainda Há Estrelas No Teu Olhar (I)
2)Podem Falar
3)Eu Sei Lá
4)Eles Já Estão Fartos
5)Obrigação
6)Meu Amor (Agora Não Fiques Para Aí a Dormir)
7)O Amigo das Plumas Coloridas
8)Quando A Gente Lá Chegar
9)O Bairro do Amor
10)A Bem da Nossa Civilização
11)Meio-Dia
12)Há Sempre Alguém
13)Ainda Há Estrelas No Teu Olhar (II)
Letras e músicas de Jorge Palma.
Músicos:
Jorge Palma (voz,piano,arranjos e direcção)
Júlio Pereira (guitarras)
Luís Duarte (guitarra baixo e contrabaixo)
Rão Kyao (saxofone e flauta)
Guilherme Inês (bateria)
Vítor Mamede (bateria)
Luís Pedro Fonseca (sintetizador moog)
Armindo Neves (guitarra)
Ficha técnica e Artística:
Gravação: Estúdios Valentim de Carvalho (Paço d'Arcos), a 20 de Junho de 1977
Técnico de som: Hugo Ribeiro
Capa: João Gentil e Henri Tabot
Grafismo: C. Augusto
'Té Já foi reeditado em CD no ano de 1994 (17 anos após a sua edição).
in Terra dos Sonhos
'Té Já- 30 anos

terça-feira, dezembro 18, 2007
Jorge Palma - Agenda de concertos para 2008
25 de Janeiro- Auditório Municipal do Seixal (com Vicente Palma)
26 de Janeiro 2008- Teatro-Cine Torres Vedras (com Vicente Palma)
1 de Fevereiro- Casino de Vilamoura (com Vicente Palma)
2 de Fevereiro- Casino de Vilamoura (com Vicente Palma)
4 de Fevereiro- Manteigas (com Os Demitidos)
8 de Fevereiro- Cine Teatro S. Pedro (com Vicente Palma)
Abrantes
14 de Fevereiro-Teatro José Lúcio da Silva (com Vicente Palma)
Leiria
23 de Fevereiro- Teatro Académico Gil Vicente (com Vicente Palma)
Coimbra
29 de Fevereiro- Centro Cultural de Belém (com quarteto de cordas)
Lisboa
15 de Março- Centro de Arte e Espectáculos (com Vicente Palma)
Portalegre
28 de Março- Centro Cultural de Paredes de Coura (com Vicente Palma)
12 de Abril- Cine-Teatro João Mota (com Vicente Palma)
Sesimbra
19 de Abril- Forum Luísa Tody (com Vicente Palma)
Setúbal
24 de Abril- Lagos (com Os Demitidos)
2 de Agosto- Vila de Rei (com Os Demitidos)
23 de Agosto- Trancoso (com Os Demitidos)
sexta-feira, dezembro 14, 2007
Carta Branca a Jorge Palma
Em resposta ao desafio que lhe foi proposto pelo CCB, o músico faz-se acompanhar por um quarteto de cordas. Em conjunto, irão reinventar uma colectânea de canções do músico e compositor, conferindo-lhe novos arranjos e criando novas sonoridades à sua própria música.
terça-feira, dezembro 11, 2007
Jorge Palma recebe o primeiro disco de Dupla Platina da sua carreira com Voo Nocturno
Parabéns Palma!!!
(o Blogue Palmaníaco agradece à MS Management)
segunda-feira, dezembro 10, 2007
Jorge Palma em Portalegre
Bilhetes 15 euros.
(Jorge Palma em Beja no mês de Abril, em data a anunciar)
domingo, dezembro 09, 2007
"Boa Noite Alvim" com Jorge Palma
O programa repete quarta-feira às 02.00h, quinta-feira às 05.00h e domingo às 23.00h.
sábado, dezembro 08, 2007
Concerto em Matosinhos

A Estrada Continua, em bom caminho....
O meu amor existe
Meu amor não fiques para aí a dormir
No Tempo dos Assassinos
Voo Nocturno
Só
Vermelho Redundante
Deixa-me Rir
Estrela do Mar
Frágil
Mifá
Abril o Sinal
Gaivota dos Alteirinhos
Encosta-te a mim
Bairro do Amor
Maçã de Junho
Fui um Lobo Malvado
Dormia tão Sossegada
Jeremias, o Fora da Lei
A gente vai continuar
Portugal, Portugal
Finalmente Sós
Dá-me Lume
Cara d'Anjo Mau
quinta-feira, dezembro 06, 2007
Jorge Palma em Matosinhos
terça-feira, dezembro 04, 2007
Canção de Lisboa: análise
A Canção de Lisboa parece-nos um bom exemplo de uma canção típica do solitário Jorge Palma. Esta canção surge primeiro com a poesia, que só posteriormente foi musicada, tendo por base uma sequência de acordes extraída do Frère Jacques em modo menor, tal como ele foi citado pelo Mahler numa das suas sinfonias,aquando do seu uso como marcha fúnebre.
Jorge aqui lembrou-se dessa ocorrência, e talvez levado pelo espírito depressivo e pelo ambiente pesado do poema, achou adequado adoptá-lo.
O Poema compõe-se de 4 estrofes de oito versos que são cantadas duas a duas em Dó menor, entrecortadas por um pequeno refrão sempre bisado no modo maior.
Os serões habituais
E as conversas sempre iguais
Os horóscopos, os signos e ascendentes
Mais a vida da outra sussurrada entre dentes
Os convites nos olhos embriagados
E os encontros de novo adiados
Nos ouvidos cansados ecoa
A canção de Lisboa
O poema começa por nos falar da monotonia que se esconde por detrás das relações que nem sempre correm bem e como isso conduz à solidão.
Não está só a solidão
Há tristeza e compaixão
Quando o sono acalma os corpos agitados
Pela noite atirados contra colchões errados
Há o silêncio de quem não ri nem chora
Há divórcio entre o dentro e o fora
Há quem diga que nunca foi boa
A canção de Lisboa
Na segunda estrofe há um reforço da ideia de como a solidão se afirma, mesmo quando as pessoas procuram outras que nem sempre são o amor desejado, apenas um consolo para o corpo físico.
A urgência de agarrar
Qualquer coisa para mostrar
Que afinal nós também temos mão na vida
Mesmo que seja à custa de a vivermos fingida
Um estatuto para impressionar o mundo
Não precisa de ser mais profundo
Que o marasmo que nos atordoa
Ó canção de Lisboa
Na terceira estrofe já nos é mostrada uma outra perspectiva, de como nós também temos necessidade afinal, é de nos afirmarmos custe o que custar, nem que seja através de ilusões ou dissimulações.
As vielas de néon
E as guitarras já sem som
Vão mantendo viva a tradição da fome
Que a memória deturpa e o orgulho consome
Entre o orgasmo na gruta ainda fria
E o abandono da carne vazia
Cada um no seu canto entoa
A canção de Lisboa
A quarta estrofe é o culminar disto tudo com o retorno a uma solidão profunda, após um acto sexual consumado, sem qualquer significado.
Estas quatro estrofes aparecem sempre sob a égide dum pessimismo associado ao urbanismo Lisbonense, o que talvez traduza a visão que Jorge nesta altura tinha de Lisboa: uma cidade povoada de solitários que, fingiam a sua felicidade e a dissimulavam em relações fortuitas e fracassadas e, em sinais exteriores de riqueza. Jorge tenta denunciar talvez, a hipocrisia que se apoderou da urbe portuguesa. Neste contexto, é no fundo uma canção com um certo cariz de intervenção social e um alerta para todos nós.
Tudo isto se passa musicalmente sob um condão depressivo da tal pseudo marcha fúnebre e acordes pesados. A única excepção é a pequena transição para o refrão, onde aparece uma pequena escala de blues debaixo das palavras "canção de Lisboa":

Esta transição é importante, porque o refrão aparece sempre em modo maior e com um cariz musicalmente alegre, de folia. A letra não traduz exactamente isso, mas talvez uma certa ironia ou um joguete infantil.
Mamã, mamã
Onde estás tu, mamã?
Nós sem ti não sabemos, mamã
Libertar-nos do mal
A utilização de "mamã" ao invés de mãe denota logo, uma intenção clara. Jorge procura aqui mostrar como todos nós somos vulneráveis, que, afinal, andamos perdidos e que, no fundo, ao procurarmos as relações sem sentido, buscamos sim um apoio materno que talvez já não exista ou não seja possível atingir.
Jorge canta a nossa incapacidade e o nosso desespero por não conseguir fazer nada direito e nos sentirmos frustrados, com uma aura de optimismo estonteante o que só pode remeter para uma ironia e um gozo do destino ou, quanto muito, para uma alegoria de como éramos felizes em criança quando tínhamos a “mãezinha” do nosso lado para nos livrar das alhadas e, não nos metíamos em confusões.
Estas duas atmosferas contrastantes compõem assim a “Canção de Lisboa”, que fecha tal qual começou: com a série de acordes fúnebres e, a cadenciar no acorde de dó menor, dando a entender, que a depressão urbana, por muito que tentemos fugir dela está para durar e é um ciclo sem saída.
quarta-feira, novembro 28, 2007
Jorge Palma dá voz a uma causa

O músico explica este apoio: "gostavam que eu desse voz à APF por ser um músico português com um público muito diversificado. Tal como a APF, trabalho com todas as gerações e para todos, sem discriminação. Este apoio junta o útil ao agradável: se através do que faço conseguir ajudar a promover a APF e o seu trabalho ao longo destes 40 anos, fico feliz”.
terça-feira, novembro 27, 2007
Com uma Viagem na Palma da Mão- Edição a 28 de Novembro

segunda-feira, novembro 26, 2007
Jorge Palma na Rádio
Jorge Palma, numa longa conversa, fala a Madalena Balsa acerca do livro, da banda, do filme, da peça de teatro e da viagem da sua vida. Este link é uma reposição de outro colocado na altura, e que se encontrava inactivo.
Clicar aqui para download.
A 21 de Setembro de 2007, na R.F.M, no mesmo dia em que subiu ao palco do Centro Cultural Olga Cadaval, Jorge Palma foi acordar Portugal no "Café da Manhã":

Jorge Palma falou à R.F.M sobre o seu novo single, a sua guitarra roubada, protagonizando ainda momentos inéditos como uma imitação de Rui Reininho e uma versão modificada de Encosta-te a Mim. Demonstrou ainda, um brilhante domínio da língua italiana, entre outros hilariantes momentos.
Clicar aqui para download.
Imagem retirada de: http://www.rfm.pt/
André Sebastião
Luís Gravito
domingo, novembro 25, 2007
sábado, novembro 24, 2007
"Jorge Palma leva Coliseu do Porto ao delírio
sexta-feira, novembro 23, 2007
Jorge Palma no Coliseu do Porto
quarta-feira, novembro 21, 2007
Coliseu dos Recreios na Comunicação Social

Jorge Palma : Em voo rasante no Coliseu dos Recreios
Poeta, cantor, desalinhado. Autor e compositor e um mestre a criar canções. Um mestre da palavra escrita e cantada. Um cantor que ganhou asas e voou. Num voo nocturno.
A entrada em palco foi tranquila. De guitarra na mão apresentou-se ao público com «Rosa Branca». Um momento de rock para abrir o concerto esgotado, de ontem à noite, no Coliseu dos Recreios.
E assim começou uma espécie de voo rasante sobre o amor, confirmado logo na música seguinte: «Voo Nocturno». A faixa que deu o nome ao último álbum foi retirada do imaginário de Saint-Éxupery e fala-nos de um Jorge Palma que se «sente mais leve do que o ar». E que não resiste - «sem saber resistir (...) não sei onde vou acordar».
Jorge Palma é um poeta de voz rouca. Um homem de palavras escritas. Escritas para cantá-las. Mas um homem de poucas palavras em palco. Talvez porque jurou fidelidade à escrita, viajou de música em música à guitarra ou ao piano sem grandes comentários. Não é um show man. Pelo contrário. Aparenta simplicidade mas muita sensibilidade. E foi dando pistas: «Só por existir/Só por duvidar/Tenho duas almas em guerra/E sei que nenhuma vai ganhar» disse-nos no tema «Só».
«Vermelho redundante» e «Quarteto de Corda» foram os temas que antecederam o primeiro desabafo ao microfone «É tão bom!». Uma resposta de Jorge às palmas que traduziram desde cedo o agrado do público.
«Olá (cá estamos nós outra vez)» foi o primeiro momento intimista da noite. Sentado ao piano desafiou as notas para acompanhar «Entre o ócio e as esquinas/Ganhei o vício da estrada». Um tema melancólico com uma batida forte.
As palmas, essas, também foram fortes, mas mesmo assim não conseguiram abafar o grito de alguém da plateia «Ó Jorge!» O músico respondeu: «Mas não sei o teu nome...»
Mas o público sabia e acompanhou em coro «o Bairro do amor». Jorge pareceu contente, soltou um grito e agradeceu ao amigo Cristovão, à Inha e à Paula Freitas todo o apoio.
Também não esqueceu o público e aproveitou para finalmente o brindar com o tão desejado «Encosta-te a mim».
O passado foi ainda revisitado com os temas «Frágil» e «Dá-me lume» que antecederam o momento de passar à crítica social. «O Centro Comercial fechou» é uma balada tocada ao piano que vai contando uma história. Do passado e do presente porque «enquanto houver saúde/há que cuidar do aspecto, fazê-lo parecer natural/por mais que seja cruel, não há ninguém que ajude».
«Valsa de um homem carente» e «Estrela do mar» antecederam «Gaivota dos Alteirinhos». Um tema que nos fala da praia dos Alteirinhos, na Zambujeira do Mar, um paraíso do qual Jorge Palma é fã, foi acompanhado pelo som do acordeão de Gabriel Gomes.
E não faltou o pássaro que assim voltou ao cenário. Ao longo de todo o espectáculo o público pode observar o mesmo pássaro que surge na capa do CD a surgir e a desaparecer do cenário. Os mais criativos podem imaginá-lo a voar sobre o palco e a pairar, sempre que solicitado, por cima da cabeça de Jorge Palma. Uma imagem projectada que dá ao público mais atento a sensação de movimento. Como se de um voo se tratasse! Um voo nocturno
«Ai, Portugal, Portugal/De que é que tu estás à espera?» ganhou ritmo para a despedida de Jorge Palma e a banda «Os Demitidos». Vários focos de luzes a rodar na direcção da plateia anunciavam o fim do espectáculo. Porque depois de apresentar os músicos um a um, Jorge Palma abandonou o palco sem mais palavras.
Essas ficaram bem guardadas para serem cantadas no único encore da noite. Depois dos aplausos insistentes da plateia, Palma regressou e afirmou ir cantar apenas mais «duas para a estrada». A mesma a que a meio do concerto se referiu dizendo que «pode matar, mas dá muito gozo!»
«Canção de Lisboa» foi um tema dedicado aos lisboetas que disseram presente no Coliseu dos Recreios mas «A gente vai continuar» encerrou definitivamente o espectáculo. Talvez um aviso à navegação: «Enquanto houver estrada para andar, A gente vai continuar»
O que poderia ter sido uma noite de festa acabou transformada em semi-desilusão. As brilhantes canções de Jorge Palma acabaram atraiçoadas por algum desleixo, evitável.
Dizem as más-línguas que já não tem graça ver Jorge Palma em cima de um palco sem estar ébrio, incapaz de encontrar o microfone ou sequer de não acertar uma letra. Não terá sido que se passou nos Coliseus dos Recreios mas a noite de celebração de uma carreira acabou por se ficar pela intenção.
Com a voz afectada por uma faringite aguda e um espectáculo mal preparado, foi difícil disfarçar algumas das fragilidades que Jorge Palma apresentou ao longo do seu percurso. «Vamos ver o que esta dá», disse a determinado momento, mas a responsabilidade era demasiado grande para entregar aquele momento ao acaso.
O alinhamento incoerente e com demasiadas pausas entre as canções quase fez esquecer brilhantes passagens por «Frágil», «Só» e «Na Terra dos Sonhos». De resto, foi sozinho, sentado ao piano, que Jorge Palma, mais uma vez, se mostrou à vontade, ao contrário do tempo em que foi acompanhado pelos Demitidos.
Não se trata de uma questão de falta de qualidade da banda, bem pelo contrário, mas de interacção, para que desastres como «Dá-me Lume», sejam evitados. De resto, a duração reduzida do espectáculo (cerca de uma hora e meia) acabou por não ser contestada pelo público, o que não é um bom sinal.
Foi ao som de Rosa Branca que Jorge Palma entrou em cena para uma noite que, à partida, parecia ganha tal o entusiasmo logo manifestado nos instantes que antecederam a subida ao palco. Palmas ao compasso, e muita electricidade, com a banda a mostrar, desde logo, que faz parte do corpo das novas canções do músico. A Voo Nocturno voltou para o segundo tema. À terceira música, Jorge Palma sentou-se ao piano e, aí, nasceu o primeiro grande momento desta noite de celebração. A plateia reconheceu as notas de Só e reagiu ainda mais calorosamente. Aplausos são muitos. E alguns cantam com Palma, mostrando saber as letras de cor. Já o esperávamos, mas era chegada a hora da constatação: o triunfo, mesmo com uma voz longe do seu melhor, confirmava-se.
Coliseu dos Recreios

(foto cedida por Joana Casal)
terça-feira, novembro 20, 2007
Jorge Palma ao Diário de Notícias
As memórias de Jorge Palma em forma de histórias e canções
Do jazz ao 'punk', o músico lembra referências , na televisão rodava The Biggest Bang, o mais recente DVD dos Rolling Stones, gravado ao vivo. Ao fundo da sala, dois pianos, uma guitarra e folhas soltas, entre poemas, músicas e contas por pagar. Forrando as paredes, livros, filmes e - sobretudo - música. Vinil religiosamente guardado e CD distribuídos entre estantes e gavetas. Antes da visita aos coliseus (Lisboa e Porto, entre hoje e quinta--feira), visitámos a morada de Jorge Palma. O trovador abriu as portas da sua discoteca, contou histórias feitas de canções e revelou segredos entre discos.
sexta-feira, novembro 16, 2007
O DVD aguardado- Coliseu dos Recreios
Bom concerto!
quarta-feira, novembro 14, 2007
Jorge Palma no Coliseu dos Recreios- data extra
terça-feira, novembro 13, 2007
Jorge Palma no Multiusos de Guimarães

segunda-feira, novembro 12, 2007
Com Uma Viagem Na Palma Da Mão reeditado em vinil
domingo, novembro 11, 2007
Vicente Palma em tributo a Adriano Correia de Oliveira
sábado, novembro 03, 2007
sexta-feira, novembro 02, 2007
Jorge Palma ao Correio da Manhã
domingo, outubro 28, 2007
Jorge Palma & Fernanda Abreu
quinta-feira, outubro 25, 2007
Voo Nocturno, Disco de Platina!

terça-feira, outubro 23, 2007
Jorge Palma no Coliseu dos Recreios e Coliseu do Porto

quinta-feira, outubro 18, 2007
Jorge Palma na Covilhã
segunda-feira, outubro 15, 2007
sábado, outubro 13, 2007
Concerto de Jorge Palma em Bragança

terça-feira, outubro 09, 2007
Jorge Palma em Coruche
Entrada Livre.
quinta-feira, outubro 04, 2007
Coliseu enche para ver Mafalda Veiga e João Pedro Pais- Jorge Palma deu brilho à noite
Lado a lado perante milhares de pessoas. Foi desta forma que o duo Mafalda Veiga e João Pedro Pais se apresentou no Coliseu dos Recreios para escrever uma bonita página no seu projecto conjunto, o disco «Lado a Lado», editado este ano.
Rodeados de «amigos», no palco e não só, esta foi uma noite especial para os cantores portugueses. Luis Represas, com quem João Pedro Pais já partilhou o palco algumas vezes, foi um dos amigos que fez questão de estar presente.
Pouco passava das 22 horas quando os artistas entraram em palco perante um Coliseu dos Recreios completamente lotado.
«O Dia Mais Longo» foi o tema com que o duo abriu o espectáculo, num registo vocal cúmplice.
Seguiu-se «Ninguém é de Niguém», um original de João Pedro Pais, «Por outras Palavras», «Lembra-te de Mim» e «Cada Lugar Teu», o primeiro grande momento da noite.
O tema de Mafalda Veiga, aqui interpretado pelos dois cantores, «puxou» pelas milhares de gargantas, que entoaram cada verso da canção de uma forma espontânea e dedicada. O público, na sua maioria do sexo feminino, aproveitou a belíssima noite e foi parte integrante no espectáculo.
A noite não era, definitivamente, apenas de João Pedro Pais e Mafalda Veiga. Estava também reservada aos amigos do duo. Zé Mário Branco foi a dizer «presente» e a entrar em palco. O cantautor português que já colaborou, entre outros, com José Afonso e Sérgio Godinho, interpretou o seu tema original «Aqui Dentro de Casa», que faz parte do alinhamento de «Lado a Lado», e ainda o tema «Do que um Homem é Capaz».
Depois Mafalda Veiga ficou lado a lado com António Pinto, com quem interpretou «Uma noite para Comemorar» e «Cúmplices», permitindo a João Pedro Pais ter uma breve pausa para recuperar o fôlego.
De seguida os papéis inverteram-se e o cantor ficou só em palco para interpretar três canções do seu reportório pessoal. «Do Outro lado do Mundo», «Um Resto de Tudo e «Mentira», o segundo grande momento da noite.
A escuridão foi invadida pelo brilho dos telemóveis, sinal dos novos tempos, a substituir os tradicionais isqueiros, que outrora tinham mais expressão como recurso habitual devido ao seu efeito visual.
João Pedro Pais disse que quando escreveu «Mentira» ainda deveria ser um pouco ingénuo, mas foram poucos os presentes que não se entusiasmaram com este «ingenuidade» do cantor português.
Pese embora alguns contratempos técnicos no som, pormenores mínimos, a produção do espectáculo esteve irrepreensível, a quem João Pedro Pais e Mafalda Veiga não deixaram de dar uma palavra de reconhecimento. Detaque para as seis telas montadas no palco, por detrás dos artistas, que ajudaram ao espectáculo cénico que variava de acordo com as letras das músicas tocadas no momento.
Fausto foi outro dos compositores de luxo convidados pelo duo para abrilhantar a noite e cumpriu o seu papel na perfeição. «Foi por ela» e «Lembra-me um Sonho Lindo» foram os temas que fluiram da junção das três belíssimas vozes de Mafalda Veiga, João Pedro Pais e Fausto.
Quem assistira ao concerto de Jorge Palma no metro do Cais do Sodré percebera a cumplicidade com João Pedro Pais, a quem dedicou o concerto na altura. O autor de «Louco por Ti» retribuiu o gesto e «convocou» o irmão mais «velho» para ir ao Coliseu. Palma não se fez rogado e interpretou «Encosta-te a Mim», o seu grande sucesso do momento, para delírio e surpresa das milhares de pessoas presentes. O abraço dos artistas no final da canção perante uma estrondosa ovação mostrou que a música nacional está bem e recomenda-se.
Com todos os artistas em palco, a despedida foi feita perante uma chuva de aplausos. E no ar ecoaram as palavras finais de João Pedro Pais: «Não dizemos adeus, dizemos até sempre».
E o até sempre é, neste caso, até amanhã. A dupla volta a actuar esta quinta-feira, dia 4 de Outubro, no Coliseu dos Recreios, depois de também já ter passado, no dia 29 de Setembro, pelo Coliseu do Porto.
quarta-feira, outubro 03, 2007
Agenda de concertos de Jorge Palma (novas datas)
17 de Novembro- Pavilhão Municipal de Guimarães, com Os Demitidos
23 de Novembro- Auditório S. Bento Menni em Barcelos, concerto a solo
12 de Janeiro- Casino da Figueira da Foz, com Os Demitidos
Relativamente ás datas já anunciadas para os Coliseus de Lisboa e Porto, acrescentamos que estes concertos além da participação de Vicente Palma e Os Demitidos, contará com um leque de convidados a anunciar, sendo previsível a presença de Flak, Pedro Vidal (Blind Zero), Pedro Sotiry e Gabriel Gomes (Madredeus).
terça-feira, outubro 02, 2007
Mafalda Veiga e João Pedro Pais convidam Jorge Palma
Os espectáculos no Coliseu dos Recreios estão marcados para as 22h00 e os bilhetes encontram-se à venda nos locais habituais, com os preços variando entre os 17,50 e os 40 euros.
segunda-feira, outubro 01, 2007
quinta-feira, setembro 27, 2007
quarta-feira, setembro 26, 2007
Jorge Palma no Casino Estoril
segunda-feira, setembro 24, 2007
Carlos Tavares interpreta Jorge Palma
Entrada livre.
Nanda
quinta-feira, setembro 20, 2007
Jorge Palma nos Coliseus
20 de Novembro- Coliseu de Lisboa
22 de Novembro- Coliseu do Porto
Aguardamos novos desenvolvimentos!
Jorge Palma no Metro
- Tempo dos Assassinos
- Dormia tão sossesaga
- Voo Nocturno
- Só
- Vermelho Redundante
- Norte
- Disse Fêmea
- Frágil
- Dá-me Lume
- Encosta-te a mim
- Cara de anjo mau
- Rosa Branca
- Portugal, Portugal
- Finalmente a Sós
- A gente vai continuar
As primeiras duas fotos são da autoria de André Sebastião.
A Rosa Branca..
"Mais de 500 pessoas pararam na estação de metro do Cais do Sodré, em Lisboa, para ouvir Jorge Palma, trinta anos depois de o músico ter vagueado por palcos idênticos na Europa.
Na véspera de apresentação do álbum "Voo Nocturno", em Sintra, Jorge Palma actuou hoje naquela estação de metro no âmbito da Semana da Mobilidade.
Quem esperava ver Jorge Palma acompanhado apenas de uma guitarra acústica, encontrou-o no meio d´Os Demitidos, os músicos que o têm acompanhado ao vivo e com quem gravou o último álbum.
O concerto apanhou muitos utentes do metro desprevenidos, a avaliar pelas caras de surpresa e pela quantidade de máquinas fotográficas e telemóveis à procura da melhor imagem.
A escadaria central da estação repartia-se entre os que se assistiam ao concerto sentados nos degraus e os que chegavam e partiam para os diferentes destinos.
O concerto, que começou cerca das 17:30, coincidiu com o horário de maior movimento na estação de metro, provocando alguns congestionamentos.
Ao longo de uma hora, Jorge Palma apresentou temas de "Voo Nocturno", entre os quais o single "Encosta-te a mim", intercalados com algumas das suas canções mais conhecidas, como "Dá-me Lume", "Portugal, Portugal", "Só" e "Frágil", numa toada funk.
No final do concerto, Jorge Palma admitiu à agência Lusa que não esperava tanta gente.
"Fiquei altamente surpreendido e isto acabou por ser um concerto a sério", disse, recordando que a actuação de hoje está muito longe dos tempos em que tocou sozinho, apenas à guitarra, em metros e esplanadas de Paris, em finais dos anos setenta.
"Eram tempos de um descomprometimento total, não tinha de estar preocupado com nada e não sabia se no dia seguinte acordava com dinheiro", recordou o autor de "O bairro do amor".
A actuação de hoje foi também uma espécie de aquecimento para o concerto que Jorge Palma e Os Demitidos dão sexta-feira no Centro Cultural Olga Cadaval, em Sintra, para apresentar ao vivo o álbum "Voo Nocturno", editado em Junho.
Com Palma e Os Demitidos estarão ainda em palco os músicos Gabriel Gomes, Pedro Vidal, Pedro Sotiri e Vicente Palma, filho do músico."
In http://www.rtp.pt/ (fonte- Agência Lusa)
quarta-feira, setembro 19, 2007
Entrevista na RFM
terça-feira, setembro 18, 2007
Jorge e Vicente no Porto Sounds
Reportagem completa em http://acisum.blogs.sapo.pt/

