É, provavelmente, o disco mais aconselhável e brilhante de toda a carreira de Jorge Palma. Em "Só", ouve-se o cantor no melhor do seus formatos: apenas a sua voz e o seu piano. Nada mais.
Palma pegou em 15 canções anteriormente gravadas e editadas com banda e decidiu despi-las rumo a um despojamento sonoro e uma simplicidade por vezes desarmante.
Não há, no disco, uma única canção inédita. Estão lá as grandes canções clássicas, como "Bairro do amor", "Jeremias, o fora da lei", "Estrela do mar" ou, entre outras, "Frágil", e algumas das suas mais brilhantes peças, como "O meu amor existe".
Do álbum, diz-se, frequentemente, que foi captado "sem rede", isto é, gravado com a voz e o piano em simultâneo, sem grandes manobras de estúdio.
O disco, gravado em 1991, esteve durante alguns anos condenado ao esquecimento, não tendo desencadeado grandes entusiasmos na altura da sua edição. Por uma qualquer insondável razão, o merecido reconhecimento só chegou quase uma década depois.
Da vasta discografia de Palma, registe-se que, entretanto, em 2002, foi editado "No tempo dos assassinos", duplo álbum ao vivo que recupera o formato piano/voz (ainda que não na sua totalidade porque também lá há guitarra).
O músico faz 60 anos em Junho próximo. Dir-se-á que os últimos anos têm sido gratificantes para um cantor que nunca foi tão popular como agora: os seus discos vendem e esgotam-se as salas por onde passa.
Rosa Branca Dormia tão sossegada Voo Nocturno Escuridão (vai por mim) Só Fado do Encontro Quarteto da Corda Bairro do Amor Jeremias, o fora da lei Estrela do Mar Eternamente tu Frágil Deixa-me rir Disse Fêmea Imperdoável(a editar em novo disco) Olá (cá estamos nós outra vez) Encosta-te a mim Portugal, Portugal Finalmente Sós A gente vai continuar Like a Rolling Stone
O complexo de Ténis da Maia "arrotava magotes de gente" quando passados poucos minutos da meia-noite, Jorge Palma subiu ao palco.
Antecedido por Ekus (banda local) e por Rita Redshoes, que Palma lamentou apenas ter encontrado de passagem, não tendo conseguido ver o seu espectáculo. Jorge Palma apresentou-se notoriamente cansado. Cansaço esse que foi sendo vencido no decorrer do espectáculo, que se pode descrever como um crescendo, requerendo um aquecimento de motores, e como tal, tendo alguns momentos mais fortes e outros menos. Destacam-se pela positiva: Bairro do Amor; Eternamente Tu; Portugal, Portugal; Like a Rolling Stone. Outro destaque vai para a "estreia mundial" de Lourou Zedo (Lourenço), companheiro de estrada de Jorge Palma. Foi no Jeremias que este se estreou na harmónica, acompanhando Jorge e Vicente Palma, regressando depois no último tema do concerto, para com toda a banda concluir com Like a Rolling Stone. Houve ainda tempo para Palma nos brindar com um "cheirinho" do novo trabalho que se avizinha: " Imperdoável é o que não vivi, imperdoável é o que esqueci, imperdoável é desistir de lutar, imperdoável é não perdoar..." Mais uma história, mais uma viagem, segue a estrada... segue o homem, o senhor, o boémio, o génio... são muitos os nomes que se lhe podem atribuir , têm todos o seu quê, a sua parte certa, cabem todos no cidadão do mundo: Jorge Manuel d'Abreu Palma.
Chegados ao espaço em frente ao palco, a imagem não era a melhor…Não nos estávamos a imaginar a assistir ao concerto sentados…e ainda que fosse na primeira fila, onde ainda estivemos, estávamos relativamente longe do palco…22h (hora prevista para o início do concerto) e ainda estava tudo muito atrasado… O pessoal técnico ainda afinava os instrumentos e acertos de som e imagem… Por várias vezes chamámos e ouvimos chamar “Jorge” ou “Palma”.
Pelas 22:50, entra Jorge Palma (deixando-nos um pouco receosos com o seu equilíbrio), seguido da banda, começando muito bem com “Rosa Branca”. Por esta altura já os mais jovens estavam mesmo em frente ao palco, deixando as cadeirinhas para os mais velhos. Seguiu-se “Dormia Tão Sossegada”, “Voo Nocturno”. Alguém do público gritou “tell me stories, man”, ao que Jorge respondeu “I’ll tell you stories”. Para nosso espanto havia muita gente que conhecia as músicas de albúns mais antigos, acompanhando-nos a cantar. Antes de “Quarteto da Corda”, Jorge Palma anunciou: “Esta é dedicada a todos vocês, sobretudo aos meus colegas das Mouriscas! Tempos memoráveis!...É bom!”. Seguiu-se “Escuridão”, “Só” (onde desde logo o acordeonista Gabriel Gomes se mostrou bem animado, acompanhado de uma garrafa de água com vinho tinto e de um cigarro). E eis que alguém chega ao pé de nós a pedir que não tirássemos fotografias com flash! “Bairro do Amor” (“costumo tocar esta à guitarra mas hoje é ao piano!”, surpreendeu-nos o Jorge, fazendo-se acompanhar de Gabriel Gomes ao acordeão e de Vicente Palma à guitarra acústica). Improvisou um pouco…saciou a sede com cerveja… “Gaivota dos Alteirinhos”… antes de mais uns improvisos ao piano comentou: “Não temos pressa!...All nigth long!”. “Estrela do Mar” (ao piano), apesar de nos ter parecido perfeito, para o Mestre apenas esteve “quase lá”!....Seguidamente dedicou “Eternamente tu” a um colega que percebemos chamar-se João (qualquer coisa) … pelo meio da música entrou um pouco da música do 007. E lá continuava, sempre bastante comunicativo com o público. Mário Pereira deu uma ajuda com as partituras. Cantou um pouco em Espanhol. (Infelizmente não conseguimos perceber o quê). Seguiu-se “Disse Fêmea”, “Frágil” com um grande solo de Manuel Paulo no órgão. “Dá-me Lume”. Alguém do público disse “estão todos demitidos” e Jorge Palma concordou: “todos!”. Por várias vezes se ouviu “és grande!”, “és o maior”… provando o agrado do público. Jorge Palma apresenta a banda e conta uma estória alternativa do capuchinho vermelho, enquanto improvisa ao piano: «Era uma vez o capuchinho vermelho, que andava pela floresta…encontrou uma papoila. “O que é isto?” – pensou para ela própria. “É uma papoila! Vou comer a papoila!” e o lobo diz que não pode porque era para ele “- oh capuchinho, a papoila é minha”, “- não, não, agora é minha porque eu é que a apanhei”, “desculpa lá mas eu não bato em mulheres!...muito menos à capuchinho!....oh capuchinho, ofereces-me uma rosa?”, “- vou ver se a encontro!”, encontrou um trevo mas só tinha 5 folhas e o lobo queria um de 4…era para lhe dar sorte, dizia o lobo! “Eu tenho uma avozinha que tem uma casa ali…queres ir lá?”, “Why not? Bora lá capuchinho!” Bateu à porta da avozinha. “Se quiserem vão para o anexo porque aqui já estou ocupada; a casa está cheia!” Lá foi o capuchinho com o lobo…foram felizes durante uns tempos, não sei quanto…Depois chegaram os caçadores…” e foi a vez de “Deixa-me Rir” com bastante participação do público…no intervalo cantámos em tom de pedido, “Jeremias, o Fora da Lei”. Seguiu-se “Olá, cá estamos nós outra vez!”…e Jorge pediu ao público para não o desconcentrar. “Encosta-te a mim” ….. “Obrigado a todos por estarem aqui! … Podia estar a tocar bem pior!”. Pedimos “Portugal, Portugal”…Gabriel Gomes comentava com o Jorge “Como sabem?” (pelos vistos viria mesmo “Portugal, Portugal”) e eu ainda disse “são muitos anos”, e ele: “Pois, estou a ver!”. Depois, “Picado pela Abelhas”, “Finalmente Só”, “A Gente Vai Continuar”… tocou um pouco: “somewhere, over the raindow (…)” e brindou-nos com um extra que confessou não ter sido ensaiado mas ninguém diria: “Like a Rolling Stone”.
Este espaço vai contar com a presença de vários elementos, desde texto a imagem, passando por vídeo ou som. A ideia é reunir vários conteúdos que possam descrever o concerto.
Participem, enviem para ladoerradodanoite@gmail.com o vosso contributo que aqui será colocado.
Amigos e companheiros:
Não se pode tentar explicar a intensidade da vida de um palmaníaco. Podem-se tentar esboçar alguns rascunhos, mas não há palavras para a saga que se desenrolou na noite passada. O encontro palmaníaco começou com alguns atrasos e avarias, pequenas coisas que em nada nos impediram de partir para uma das maiores aventuras das nossas vidas. Daquelas que ficam na memória para contar às futuras gerações.
Sentados nos melhores lugares e a desfrutar do esplendor de Belém, começámos por ver o Jorge Palma de guitarra eléctrica na mão, a tocar a "Portugal, Portugal" como se fosse um hino nacional. Acompanhado pelos melhores músicos, Palma deu seguramente um dos melhores espectáculos de sempre. Não só porque se juntaram os melhores do país para dar "Qualquer coisa pá música", porque o que eles deram foi mais do que isso.
Pairava em Belém uma energia que penso só poder ser equiparada ao clima festivo durante os campeonatos europeus de futebol. Os que passaram por aquele palco uniram-se para dar um verdadeiro espectáculo, uma festa que transmitiu boa onda e um espírito de optimismo, confiança e bom humor que nos deixaram em transe e que fizeram pular os portugueses mais sisudos. A arte da música, senhoras e senhores, no seu estado mais puro.
Vimos um Jorge Palma (surpreendentemente) bem comportado e com uma grande postura profissional. Organizar um evento deste calibre e representar o melhor do país é uma grande responsabilidade. O resultado foi o melhor. Os Palmaníacos também se portaram bem, e como bons fãs, fomos, depois do espectáculo, prestar um tributo ao Jorge à entrada do backstage, de guitarra e de copo na mão. Ficámos ali a improvisar até que os seguranças cederam e finalmente nos deixaram ir congratular os artistas da noite.
O que começou por ser uma visita aos bastidores transformou-se milagrosamente numa maratona de música, de rock&roll&blues, de alegria e companheirismo até ao sol nascer. Há horas de sono que valem a pena serem perdidas porque há momentos de sincronização que valem a pena. Também nós, Palmaníacos, demos "Qualquer coisa pá música".
Há coisas que são só nossas. Juntos somos imbatíveis. Em breve o alinhamento e a crítica ao espectáculo estarão alinhavados no BP de um modo mais descritivo e formal. Aqui ficam as minhas memórias. Guardem as fotografias e mandem os vídeos! Queremos tudo! Porque não "vemos sempre a preto e branco o programa que afinal é a cores". ___________________
"Qualquer coisa pá música" foi o mote que inspirou o encerramento das festas de Lisboa, que começaram há dois meses. O espectáculo que teve lugar em Belém para finalizar as comemorações não tem palavras para o descrever. Diria que foi "espectacular", se isso não implicasse cair em redundância.
A qualquer hora, Belém parece um postal daqueles que as "bifas" mandam aos namorados nas férias da Páscoa. Quando se monta um palco junto à torre de Belém, "não há hipótese", como se diz no nuarte (carago!). Temos que nos sentar no relvado a beber uma jola e a pensar que aquele recinto dá para algo em grande, como por exemplo: juntar o Jorge Palma, o Rui Reininho, o Sérgio Godinho, o JP Simões, a Mariza, o Fausto e o Adolfo Luxúria.
Se Portugalol (como diz um krido amigo) é um jardim à beira mar, volto a frisar que Belém é um SPA de verduras que percorrem mais de 5 Kms ao lado da marginal. Tudo isto engolindo o estupidamente colossal CCB e o mosteiro dos Jerónimos.
Mas, voltando à noite passada - nada se podia esperar a não ser uma simbiose perfeita entre excelentes músicos que já há muito tempo andam na estrada. Só ontem é que podíamos ver, num record de 2 horas, um Rui Reininho engravatado a cantar o "Frágil" tal como um groovie Bowie português; um pictórico Adolfo trovador a dar o estilo dos "Mão Morta" ao tema "À Espera do Fim"; a Mariza a transformar em épico o fado da "Canção de Lisboa"; o Gordinho a bancar o papel de avô cantigas e um JP Simões, cujo timbre nem tem comparação com o Jacques Brel, a trautear o "Bairro do Amor". Cada convidado, entre outros que se apresentaram (como a quase anónima mas arrepiante Cristina Branco), deu o seu cunho pessoal a uma interpretação única que tinha apenas por objectivo dar "Qualquer coisa pá música". Simples e porreiro, pá.
De borla, entrada mais do que livre, como gostam os portugueses. A escolástica do país 'teve toda lá para dar o exemplo aos mais pequenos. Em termos politicamente correctos, foi uma reciclagem e uma forma de maximizar os recursos, valorizando o PIB. Na capital, reuniram-se os melhores num plural majestático. Simply de Best.
Ana Rita Nascimento
AR
Alinhamento oficial
1 -Portugal, Portugal (Toca a Rufar e Gaiteiros de lisboa)
2 - Rosa Branca
3 - Voo Nocturno
4 - Olá (cá estamos nós outra vez)
5 - Frágil (Rui Reininho)
6 - Cara d'anjo Mau
7 - Deixa-me Rir
8 - Canção de Lisboa (Mariza)
9 - Bairro do Amor (JP Simões)
10 - Gaivota dos Alteirinhos
11 - Abrir o Sinal
12 - Estrela do Mar (Cristina Branco)
13 - Maçã de Junho
14 - Jeremias,o Fora da Lei (Sérgio Godinho)
15 - À Espera do Fim (Adolfo Luxúria Canibal)
16 - Só
17 - Quarteto da Corda
18 - Dá-me Lume (Fausto)
19 - Finalmente a Sós
20 - Encosta-te a Mim (Gaiteiros de Lisboa)
21 - Picado pelas Abelhas
22 - A gente Vai Continuar (TODOS)
Fotos: 1ª de Tiago Bártolo/3 seguintes de BP/ restantes de Ricardo Calhau
Foi no passado dia 9 de Maio, que Coimbra e o Porto se ligaram através de um laço entusiástico que colocava o Blogue Palmaníaco na mira de uma noite inesquecível, de um exclusivo sem igual, de uma experiência marcante, de uma história para contar. Chegados a determinado hotel daquela cidade, demos por nós no backstage da Queima das Fitas… Demos por nós a acompanhar por dentro tudo aquilo que sempre vimos por fora, que sempre esteve bem dentro da nossa curiosidade. De facto é um privilégio acompanhar Jorge Palma nas horas antes de um concerto, é aquilo que qualquer fã pode querer e é algo que se tornou real sem nem sequer ainda o parecer ser. Jorge Palma actuou incluído no conceito All Stars Band que reuniu diversos convidados desde: Lúcia Moniz, Sérgio Godinho, Coll Hipnoise a Boss AC. Jorge Palma, assim como os outros artistas estiveram no hall até à hora de uma pequena reunião que decorreu no átrio do hotel onde os músicos trocaram impressões e acertaram os últimos pormenores acerca da actuação que iriam realizar . Seguimos para o recinto da Queima, onde todos nos juntámos no camarim All Stars Band à espera que o espectáculo tivesse inicio (já estava atrasado umas horitas). Aos Cool Hipnoise seguia-se Jorge Palma que aproveitou para dar uns passos de kizomba com Marga (vocalista da banda) na transição, terminando estes com Jorge Palma a acompanhá-los ao sintetizador no tema Dá-me. Jorge Palma seguiu acompanhado pela banda residente aquecendo o público com a sua Rosa Branca, passando pelo Encosta-te a mim e terminando com Frágil na companhia da querida Lúcia Moniz. Seguimos madrugada fora ouvindo os restantes artistas e esperando o final do concerto em que todos mais uma vez subiriam ao palco cantando os Parabéns à aniversariante “Queima de Coimbra”. Após as despedidas iniciamos a nossa viagem de regresso, o relógio marcava as 5:55, o Sol erguia-se em Coimbra sobre a estrada longa, que enquanto houver, é certo que irá continuar.
Durante muito tempo pensei que esta era uma música romântica. Mas hoje cheguei à conclusão que o "Gigante na jaula de vidro" é a televisão. Já devia ter percebido esta mais cedo, "miquem" a letra:
Eu Sou o teu herói Desperto o sonho com um simples gesto E na janela do teu olhar Eu embalo a tua monotonia
Eu Eu sou o maior Tenho a dimensão dos teus desejos Faço tudo por te encontrar Sou a imagem certa no fim do dia Sou o gigante na jaula de vidro Tenho mais poderes que o próprio presidente Sou o gigante na jaula de vidro Agora vou vender-te um bom desodorizante Não desligues já - vê o programa a seguir
Eu Eu vivo por ti Sou eu quem realiza a tua história Posso apresentar-te um fim feliz Posso megulhar-te num melodrama
Tu Não passas sem mim Sou a tua central de energia O fundo falso do teu chapéu O escultor escondido na tua alma
Sou o gigante na jaula de vidro Tenho mais poderes que o próprio presidente Sou o gigante na jaula de vidro Agora vou vender-te um bom desodorizante Não desligues já - vê o programa a seguir
Jorge Palma in Quarto Minguante (1986) ___________________________
Realmente há letras que só se percebem depois de 1001 rotações...Neste caso, o instrumental romântico escondeu a mensagem política. Lanço-vos o desafio: peguem numa música do Jorge e leiam duas vezes a letra. Tentem ler nas entrelinhas e partilhem as vossas revelações. :)
Foi há 10 anos. Estava num acampamento com uma amiga. Só tínhamos uma cassete que ouvimos durante uma semana inteira: de um lado havia Sérgio Godinho e Led Zeppelin, do outro lado tinha Jorge Palma. Recordo nitidamente as tardes de sol que raiavam entre os ramos das árvores ao som da Estrela do Mar e da Terra dos Sonhos. Foi assim que conheci o Jorge. Meses mais tarde, dirigiram-me ao meu primeiro concerto de Palma: num anfiteatro ao ar livre em Tondela. O concerto surpreendeu-me de tal maneira que chorei. Não estava preparada. A partir daí, tinha em casa CDs emprestados e K7's gravadas. Ouvia música no quarto por razões que hoje desconheço. Só sei que muitas tardes eram passadas na companhia do Jorge, nos momentos mais lúgubres e fatalistas do "Só" e nas horas primaveris do "Acto Contínuo". Em 2002, dois anos antes de entrar na Faculdade, vim a Lisboa. Uma amiga disse-me que este concerto seria o melhor das nossas vidas. E foi. No Teatro Villaret. Quando fiz 18 anos, deram-me o CD duplo deste concerto. Nunca imaginava que os nossos berros ficariam gravados no início de algumas músicas. Foi nesse álbum que descobri que a minha música preferida era a "Yoggi Pijama", ouvia-a incessantemente em loop...e só anos mais tarde é que conheci a versão original. Passado este tempo, encontro o Palma no mundo real, com os pés na terra e com a cabeça por vezes no ar, longe da minha idealização tipicamente adolescente. Ele é um homem e um ser humano que me recebe, dizendo: "Rita: Bem-vinda". Hoje, o Jorge está comigo, não só no Mp3 player, mas no coração. Espero que a gente continue a andar nesta estrada, nestes rumos que me têm levado a conhecer novas pessoas, caminhos virtuais e o suado backstage dos palcos. E porque é por causa dele que estamos todos aqui, eu vos saúdo (não liguem ao tom paternalista e desculpem o post intromissivo que será o único do género). Que os PALMANÍACOS continuem neste registo, sem perder todas as oportunidades de partilhar risos com a plateia e com o artista, especialmente quando ele baralha as letras das músicas. Obrigada Jorge Palmaníacos!
"Foi um grande auditório repleto que ouviu Jorge Palma no Dia dos Namorados no CCC. O cantor deu um excelente concerto e, além das novas canções de “Voo Nocturno”, entoou várias das suas baladas clássicas que encantaram o público. Palma vive hoje uma boa fase de reconhecimento do seu enorme talento como músico e compositor. O concerto porém, não começou bem. Uma avaria técnica relacionada com a iluminação colocou o público a aguardar uma hora a mais do que o previsto, à espera da reposição do necessário equipamento. Quando enfim o espectáculo teve início, Jorge Palma arrancou com “Essa Miúda” e, numa sessão quase sem tempo para respirar, interpretou “Acorda Menina Linda”, “Eu fui um lobo Malvado” e o “Bairro do Amor”. Esta primeira série permitiu-lhe fazer as pazes com o público caldense que entretanto começava a esquecer a forçada hora de espera. Palma foi por vezes acompanhado só à viola por Vicente, juntando depois o acordeão de Gabriel Gomes (Madredeus e Sétima Legião ) e, mais tarde, os três músicos que compõem os Demitidos. Seguiram-se outras canções como “Dormia tão sossegada”, o “Voo Nocturno” e “Quarteto da Corda”. Sempre à espera dos clássicos, Palma brindou o público com “Só”, Escuridão”, “Dá-me Lume”, “Norte” e Estrela do Mar”. E o concerto prosseguiu com o artista a intercalar novos temas com outros, já considerados clássicos, e que acabavam sempre por arrancar as palmas mais sonoras. Ao músico não foi difícil despertar emoções, cantando, à viola ou ao piano. “Eternamente Tu”, “Maçã de Junho”, Deixa-me Rir” e sobretudo “Encosta-te a mim” levaram o público caldense ao rubro. Foram interpretadas mais de duas dezenas de canções. Jorge Palma é um dos melhores compositores da actualidade e detentor de uma voz única. No CCC, o público pôde confirmar todas estas características. Afinal, ele é quase como um “Bob Dylan português”, conforme comparou José Morais (director da Produtores Associados). “No dia em que o Palma deixar de ser assim, perde metade da genialidade”, afirmou no final da actuação. Não foi possível falar com o cantor que se queixou de ter ficado com a voz muito cansada, mas a Palma perdoa-se tudo em nome da sua criatividade musical. José Morais tem acompanhado Jorge Palma nesta digressão que já dura há um ano e meio, com mais de 90 espectáculos. Segundo o produtor, a digressão tem sido um verdadeiro sucesso e até em Moçambique há numerosos fãs que cantam em coro as suas canções."
Foi sob a luz tipicamente vermelha do Maxime que “magotes de gente” aguardavam que Jorge Palma aparecesse no palco, no dia do seu segundo concerto, sexta-feira 13 de Fevereiro. A julgar pela sua entrada triunfal, pode-se concluir que o primeiro concerto na noite anterior ainda não tinha acabado. Palma não falhou as expectativas de uma plateia agitada, quando nos presenciou com a sua silhueta ébria, um semblante jovial, sorridente e olhos semi-cerrados. Assim que Jorge pegou na guitarra, estremeceu ao entoar os primeiros acordes d’Essa Miúda. Mas a estrela da noite estava em aquecimento para o que viria, desde os intemporais temas como Bairro do Amor, Canção de Lisboa, Fui um lobo Malvado, Dá-me Lume…, até aos mais recentes (Norte, Voo Nocturno, Gaivota dos Alteirinhos, Abrir o Sinal), que quando tocados, apaixonaram os mais desacreditados pelos últimos dois álbuns do Jorge.
A acústica do Maxime prometia e cumpriu a promessa de um espectáculo inebriante, surpreendido por convidados como Manuel João Vieira (que se destacou nos solos de bandolim) e pelo acordeão de Gabriel Gomes (figura reconhecida dos Sétima Legião e Madredeus), além do promissor Vicente Palma. “Entre o Chill Out e o Trance…” e quando o público pensava que o concerto estava a findar, apareceram os Sindicato, grande nome da música rock portuguesa, cuja sonoridade é tudo menos nacional (que isso seja entendido como um elogio). Ao estilo blues dos Sindicato juntou-se a mestria clássica de Jorge Palma, o que resultou num espectáculo nada mais adequado para o Cabaret Maxime…Para rematar, pode-se dizer que a idade já não perdoa ao Jorge, mas a gente perdoa tudo a esta “obra-prima à escala mundial”.
Obrigado a Rita "Chibanga" (palmaníaca honrosa) pelo excelente artigo, que me fez reviver o concerto sem precisar eu de acrescentar mais nada, tal e qual.... Durante o concerto enquanto pensava no que escrever fiquei com esta ideia fundamental, o Palma é daquelas coisas... imaginem uma máquina, e daquelas máquinas antigas que trabalham bem... que precisam de aquecer... daquelas que nos fazem dizer: isto é que é! Já não se fazem assim. Como o próprio disse no auditório da RFM: "Isto é construção sólida, é de 1950!" Enquanto houver estrada pr'andar.
Da janela do comboio, com a mala da máquina fotográfica a abarrotar de panfletos, já na minha cabeça surgia uma imagem daquilo que poderia ser a dimensão do espectáculo da noite de ontem.
Chegado a Entrecampos, avistava-se ao longe, o laranja reluzente, dos tijolinhos que cobrem as paredes do Campo Pequeno. À entrada, embora fosse cedo, já estava um aglomerado de gente, que ia entrando lentamente enquanto apagava o ultimo cigarro. Entrámos também. E depois de ter as mãos cheias de publicidade, era chegada altura de procurar um bom lugar para assistir, a este final de época de sucesso.
-Campo pequeno, o balanço de um ano, de uma carreira, um pouco de tudo, um crescendo musical. Mais uma vez, uma história. Na sala podia sentir-se, a pairar no ar, o perfume Palmaníaco. O espaço foi-se deixando encher à medida que o tempo passava. Muito embora não se tenha preenchido por completo, pode dizer-se, no entanto, que estava bem composto. O palco, como prometido, circular. Ao centro do círculo uma parte mais elevada, giratória, contendo o piano como não poderia deixar de ser. Á roda num patamar mais baixo, o espaço para todos os outros instrumentos.
À medida que o tempo ia passando, o público, entusiasta, chamava por Palma, ao som de palmas e assobios. E eis que os mais de três ecrãs gigantes, junto ao tecto, se acendem ao Som de "Casa do Capitão" com a cara do tão ansiado Jorge Palma. Mostrando o artista a ser saudado pela sua equipa antes do espectáculo. De face serena e feliz, Jorge ia abraçando cada amigo, fitando o palco no horizonte. Primeiro entraram os seus companheiros de estrada, os Demitidos, que arrancam ao ritmo frenético de “Dormia tão sossegada” introduzindo desta forma o homem da noite que entrou em cena de seguida. Cheio de garra, com vontade de tocar e de encantar, assertivo…
Num alinhamento um tanto ao quanto (felizmente) diferente daquilo a que ultimamente nos temos habituado, fizeram-se seguir temas como: “Rosa Branca”,” Voo Nocturno”, “Tempo dos Assassinos”,”Só” (um momento muito aplaudido) que precedia outro aplaudido ainda de forma mais entusiasta:” Balada de Um estranho” acompanhada ao saxofone como na sua versão de estúdio, algo que soube muito bem ouvir após tanto tempo ausente dos alinhamentos.
Mas, em termos de novidades não ficámos por aqui, as "Ala da Sombra, e do Sol" denominadas assim por alguém dividiam-se em gritos de incentivo: “Palma!! Jorge!! És o maior!!.. e, em pedidos de diversos temas da obra do cantautor.
Palma seguiu o alinhamento à risca, o elaborado espectáculo não permitia grandes fugas. Mas ninguém pôde dizer-se descontente. Após “Balada de um Estranho”, entra Tim, convidado de Palma, merecedor do carinho de todos, dividindo a meias com este, o seu ”Fado do Encontro”, num momento muito ovacionado pela plateia.
Seguiram-se: “Minha Senhora da Solidão” e “Escuridão”.
Depois chegou o tempo de Palma dar um pouco de descanso à sua faceta rock, e de nos presentear com o que tem de melhor, a solo, ao piano. A sala em tons de azul, o publico em silêncio, um foco sobre o homem, só, em palco, pronto para desafiar as teclas do piano para mais um jogo. Algures pude ouvir um conselho: “Imagina que o vais ouvir, sentada num bar, com um piano”
“Quem és tu de novo?”, ” Dizem que não sabiam quem era”, e eis que surge um grande momento, algo assombroso (senti assim) o Fim, monumental, palavras para quê. O tema em si puxou pelo grito profundo de todos os que sentem Palma. A interpretação excepcional, as palmas de satisfação pelo arrepio, pelo sonho, pela morte das saudades deste tema que se sente cá dentro.
Seguiu-se” Estrela do Mar”, também muito ovacionada. Logo após, eis que entra Vicente Palma, aplaudido fortemente, querido de todos, “Com os mesmos genes que não degeneraram nem um pouco” – alguém comentou – um talento, inconfundível. Com o seu nome a ser entoado por varias gentes, abraçou o pai, e com ele trouxe até ao palco, o fora da Lei “Jeremias”.
Na especial noite de ontem, Jorge Palma poude contar com convidados, também eles especiais como: Filipe Valentim, teclista dos Rádio Macau; Gabriel Gomes (acordeão) e Edgar Caramelo (saxofones).
Seguiram-se “Abrir o sinal”, ”Gaivota dos Alteirinhos” ,“Bairro do Amor” e “Canção de Lisboa”. Depois chamou-se um outro convidado, grande amigo de Jorge, aquele, "em que no seu carro não se fuma", assim o apresentou Palma, de seu nome João Gil, que partilhou o palco com este num outro grande momento da noite – “Senta-te aí” - tema recuperado dos Rio Grande, com letra de João Monge. Despediram-se de beijo, debaixo de aplausos, enquanto os Demitidos se reposicionavam no palco para arrancar com o famoso "Encosta-te a Mim". Cantado a plenos pulmões, pela plateia em geral.
Seguiram-se: “Vermelho Redundante” de Carlos Tê, e “Quarteto de Cordas”. E depois, os palmaníacos, já satisfeitos com o teor do alinhamento, ainda ouviram, quase sem pausas os seguintes temas : "Dá-me Lume,"Deixa-me rir," "Frágil" e "Disse Fêmea", mais uma vez, palavras para quê? Seguiram-se “Olá” e “Portugal Portugal”, este ultimo, um tema muito pedido, e muito apreciado por diversas pessoas que gritaram de contentamento no início deste.
Depois, Palma saíu, e, alguns elementos de “backstage” subiram mesmo ao palco dando a ideia de que o concerto poderia acabar ali, o que fez com que algumas pessoas abandonassem a sala, já felizes, cantarolando mentalmente o “Enconsta-te a Mim”, muito provavelmente.
Contudo, o público não desistiu de chamar pelo Jorge, que para espanto de alguns, de outros nem tanto, Voltou! Trouxe com ele mais seis momentos de plena força: ”Cara d’Anjo Mau”,” Finalmente a Sós”e “A Gente vai continuar”, chegando assim ao fim do primeiro encore, que não precisou de esperar pelo início do segundo, e, logo de seguida, para terminar em beleza apelando ao calor do rock como forma de encerramento do espectáculo que durou mais de 2 horas e 30 minutos, vieram, “Picado pelas Abelhas” e “Like a Rolling Stone” tema de Bob Dylan.
Jorge Palma, alcançou assim, o objectivo pretendido para a memorável noite do Campo Pequeno, e conseguiu trazer até aos seus fãs o sabor especial, que não tinha conseguido fazer chegar de outra feita, nos Coliseus. Um desenrolar perfeito de temas escolhidos acertadamente, que poderiam ser muitos, muitos mais, como o próprio disse: “ Teria de estar a tocar durante dez horas seguidas”. Provavelmente iam ser as melhores horas da vida de muita gente. E, no fim, aquilo que sobrasse da plateia, quem ainda restasse sentado, estaria certamente em redor do piano a ouvi-lo, pronto para dizer: - Obrigado Jorge, por tudo, prontos para seguir cantando a sua obra, deliciados com cada pormenor. Prontos para o abraçar numa outra aventura qualquer,
O Blogue Palmaníaco aproveitou a ocasião para distribuir panfletos com o objectivo de promover a sua visualização. Agradecemos a forma como todos receberam bem a iniciativa e os comentários de pessoas que elogiaram o blogue, dizendo já o conhecer. De destacar a heterogeneidade do publico, que vai desde pequenos até graúdos. E para surpresa alguns dos pequenos (na casa dos 10 anos) conhecem bem alguns dos temas mais antigos e calhou em conversa saber que um dos temas preferidos de um dos jovens é mesmo o “Deixa-me Rir”, inesperado não. Nota negativa para o som, que estava com muito ruído e pouco nítido - alvo de muitas queixas. Até o próprio Jorge teve direito a panfleto, e recebendo-nos, como sempre muito bem após o concerto,aproveitou para agradecer ao Blogue todo o esforço e dedicação, destacando que estamos sempre em cima do acontecimento.
Obrigado Nós.
Abraço especial a Vicente Palma - obrigado por tudo - !
Obs:Amanhã será inserido neste mesmo post um link para 99 fotos exclusivas em full screen. Obrigado Rita e Gustavo pelo resto da distribuição, bem mais proveitosa que a nossa, aparentemente.
O Jorge é do tempo da guitarra a tiracolo e do estojo franqueado na estação do metro. A música pop anglo-saxónica estava em vias de influenciar o planeta e acelerar rumo à sua própria irrelevância. Depois de trucidadas pelo vídeo, as canções volatilizaram-se nos vários suportes que a indústria, na última década, não se cansou de inventar. Hoje servem para sincronizar em telenovelas e publicidade ou para toques de telemóvel. O Jorge, porém, manteve-se imperturbável e continuou a fazê-las na sua língua mãe. Ainda hoje pode abrir o estojo e tocá-las numa plataforma do metro com a mesma verdade com que as toca no palco do CCB. Nele, as canções conservam a substância sonhadora e os fãs cantam-nas como aconchegantes salmos da vida urbana. Não sabem explicar porquê, mas sentem que o Jorge Palma é um espírito errante, um dos últimos apóstolos dum evangelho pop apócrifo que já teve um perfume redentor e que agora é apenas mais um respeitável produto de mercado. No fundo, o Jorge continua a trazer a guitarra a tiracolo, e os inveterados crentes da música popular urbana sempre amaram mais os que caminham com a guitarra a tiracolo entre as luzes da ribalta.
Na passada noite de 8 de Outubro Jorge Palma actuou no Belém Bar Café. O concerto começou por volta das 23:40. A sala grande e bem composta, estava dividida em dois espaços: o bar, e a zona de jantar que se encontrava precisamente virada para o palco. A entrada de Jorge Palma em palco foi discreta e ainda poderia ser mais se um amigo palmaníaco não quebrasse o gelo começando a bater palmas. Jorge Palma estava muito bem, com um ar descansado, e com uma excelente voz, o que somado a vários rasgos de inspiração deu origem a momentos de interpretação soberba. Palma, arrancou como de costume com o “ meu amor existe” e foi aquecendo, ganhando uma garra especial tema após tema. Houve tempo ainda para tocar Lou Reed e para responder a alguns membros mais (ditos) vip do publico que davam mostras de alguma exuberância comportamental. Vicente Palma esteve excelente, surpreendendo com diversos novos momentos ao piano que resultam na perfeição acompanhando o pai quando este está na guitarra. Em suma pode-se dizer que o concerto foi muito bom, que me fez sonhar e deixar ir. E não só a mim. No fim do concerto pude notar que Jorge Palma conquistou por completo toda a sala que acabou por se render ao seu encanto, à sua mística, à sua irreverência e potencialidade musical. Na noite de 8 de Outubro, Jorge Palma esteve no seu melhor.
Ontem na Baía de Cascais, Jorge Palma apresentou-se com os seus Demitidos frente a um público bem composto e animado. O concerto foi divertido. Os músicos são excelentes, as musicas são muito boas, o Jorge é um Génio... contudo, a meu ver, o Jorge Palma está cansado, a voz está desgastada após centenas e centenas de concertos com curtos intervalos de tempo entre eles. Basta consultar a agenda do nosso Blogue com mais atenção para ter-mos uma clara noção disso mesmo. Não sei bem com quem me revoltar, não sei ao certo o porquê... Mas digam lá que tudo o que é realmente bom não costuma ser raro? Critico aqui hoje, negativamente toda a maquina que está por detrás de um homem, de um ser humano de excepção, que o "obriga" a uma exposição forçada, a um desgaste desnecessário, capitalista. Não é (só) a massificação e a exposição exagerada que trazem a popularidade e o sucesso. Há que ter qualidade acima de tudo, há que manter um nível, e o Jorge tem um alto nível que tem que ser preservado.
Até eu voltar
Desta vez tem que ser Esta noite vou deixar o Porto Já tenho no bolso o bilhete Para a camioneta que parte agora à meia noite
Estava a ver que nunca mais conseguia sair do Porto Tanta gente porreira a meu lado Quase me fez esquecer Que tinha mais que fazer
Um contrato assinado Pode ser um açoite Para quem não gosta de se comprometer
Hei malta! Aguentem essa vossa franqueza Segurem bem essa firmeza No coração e no olhar
Hei Malta! Não percam essa vossa maneira De transformar em sementeira A passagem de quem por aí passar Até eu voltar
Porto, Porto Mandou um amigo meu Para as espiras do disco E eu vi o meu nome gravado Por gente que encontrei lá em Santa Catarina
Fui levado para a esquadra Mas valeu a pena correr o risco É que eu não tinha contrabando E os agentes compreenderam que a música pode ajudar
Uns bons acordes da rua E toda a gente atina E então, ninguém pensa em roubar
Hei malta! Aguentem essa vossa franqueza Segurem bem essa firmeza No coração e no olhar
Hei Malta! Não percam essa vossa maneira De transformar em sementeira A passagem de quem por aí passar Até eu voltar
Hei Malta! Não percam essa vossa maneira De transformar em sementeira A passagem de quem por aí passar Até eu voltar
O Blogue Palmaníaco dá lugar à apresentação de uma investigação académica realizada há cerca de 3 anos, por Tiago Videira e Isa Peixinho sobre a obra de Jorge Palma:
O trabalho que decidimos fazer pretendia ser a intersecção da vida e obra de Jorge Palma com os processos e métodos de composição e a análise da sua postura como músico na sociedade, bem como de algumas músicas, em particular, que servirão para ilustrar algumas das teses defendidas. No fundo, tentando manter a problemática inicial - a de averiguar a existência de uma vontade de intervir socialmente - tentámos construir um trabalho que abarcasse e focasse o maior número de informação possível sobre JP, e que lhe conferisse o já merecido reconhecimento. Sendo um trabalho preliminar, com uma investigação de curta duração e, portanto, focalizada, não são reivindicadas leituras definitivas das questões aqui levantadas. Procura-se analisar acima de tudo a problemática do “Só”, da Transgeracionalidade, da Intervenção social e da análise musical. Esperamos, no entanto, estar a abrir portas para futuros trabalhos de nossa autoria ou de outros.
Aqui fica o link para a entrevista realizada a Jorge Palma, a merecer uma leitura atenta.
"Os momentos que antecederam o início do espectáculo foram de expectativa.
Que Jorge Palma se apresentaria ali nesta noite? Em que estado e com que disposição?
Os relatos atribulados de anteriores concertos e os muitos episódios rocambolescos que ajudaram a criar uma aura mística sem par, digna desta figura icónica na música portuguesa, adensavam o mistério.
A sua fama de boémio, de ébrio, de libertino, a longa e pública relação de excessos com o álcool e com a vida deixavam no ar uma bruma de dúvidas sobre o espectáculo ao qual iríamos assistir.
Para mim, a excitação era ainda maior por ser a primeira vez que o via actuar depois de ter perdido algumas exibições por inusitados acasos sendo o mais flagrante o do concerto de Marvão, ao qual falhei por ser em vésperas de exame final de admissão às Finanças. Esse ficou-me atravessado e deixou-mas prometidas.
Felizmente, o Jorge Palma do CAEP na noite de 15 de Março de 2008, foi um Jorge Palma no seu melhor, ou por outras, um grande Jorge Palma.
As luz ténue que acompanhou a sua entrada revelou-nos um palco despido, onde apenas contava um piano, dando o mote para uma noite de récita solitária.
Todo de negro, com ar simpático e sorridente, apenas acompanhado por uma guitarra acústica, arrancou de pé a fundo para uma noite memorável protagonizada por um Palma em todo o seu esplendor.
Connosco esteve o poeta, o guitarrista virtuoso, o brilhante pianista, o grande músico, o animal de palco… o Palma entertainer, que conta piadas, quebra silêncios, interage com a plateia e reclama por um mais que merecido copo de vinho que teimou sempre em não chegar.
O bilhete dizia “Jorge Palma – Voo Nocturno” mas o que nós vimos foi muito mais que a apresentação do seu último e mui aclamado trabalho.
Após dois ou três temas novos onde passou com distinção provando que uma só guitarra pode ter tantos cambiantes, sentou-se ao piano e desfilou os obrigatórios “Frágil”, “Dá-me lume” e “Bairro do Amor” e os não tão óbvios “Disse fêmea” e “Estrela do Mar”, este último numa interpretação particularmente magnífica.
Sumptuoso e inesquecível o medley do poema musicado de Al Berto “Acordar tarde” e a “Valsa de um homem carente” de Carlos Tê.
Chamou então a si o seu filho Vicente, companheiro já habitual nestas andanças pelos palcos e a duas vozes (de timbres idênticos) e a duas guitarras contaram a história do “Jeremias, o fora-da-lei”, passearam pela “Terra dos Sonhos” (onde a gente trata a gente toda por igual) e terminaram numa cavalgada épica com uma interpretação bem esgalhada e quase western de “Dormia tão sossegada”.
Depois sentou-se, olhou para o line up na folha junto aos pés, sorriu e disse: “e agora é hora de ir-me embora” e saiu, fazendo graça à sua falta de atenção.
Regressou para o “já planeado” encore e saiu com a plateia de pé, rendida à sua hora e meia de encantos.
A magia não é negra, nem se esconde na manga, mas acontece de cada vez que um homem só, de tão pequena estatura, consegue sacar algo de dentro de si que o agiganta ao ponto de encher o palco, a sala e as nossas mentes e corações.
Louvor e distinção para o excelso trabalho de iluminação de Carlos Gonçalves que verdadeiramente roçou a perfeição. Genial na materialização dos cenários sonoros e no acompanhamento dos temas, ilustrando-os, imprimindo-lhes força e vida, ajudando-nos a compreende-los e a admirá-los em toda a sua magnitude. Notável!..."
Foi ontem no grande auditório do CCB que Jorge Palma deu um concerto diferente, com ele estava o quarteto Lacerda, composto por grandes músicos. Juntos proporcionaram ao público que acorreu ao CCB uma noite surpreendente. Palma entrou só, à guitarra, o ar aprumado era demonstrativo da seriedade do evento. Arrancou com "O meu amor existe". Depois de algumas canções à guitarra passou ao piano, Voo Nocturno fez viajar o publico. Jorge Palma encantou com os seus dedos no Steinway de cauda. Ontem justificou bem o seu curso superior de piano, como afirmou a R.T.P na sua reportagem sobre o concerto, na qual se pode ver, também, um video . Por esta hora na sala, já todos se perguntavam onde andaria o Quarteto de Cordas que tardava a entrar em cena. Não foi preciso esperar muito. Quatro elementos, dois violinos, uma violeta e um violoncelo, deram uma nova sonoridade ao concerto. Juntos, Jorge Palma e Quarteto de Cordas, revisitaram, temas antigos. "Duas amigas" foi o primeiro tema em conjunto, a este, Jorge Palma só deu a voz, dirigindo com a mão, como o maestro o faz com a batuta. Seguiram-se temas como, "Passos em volta" ou "Acorda menina linda", os quais já não soavam em concertos há algum tempo, e que aqui ganharam outra alma, regressando em grande, fazendo as maravilhas de todos os fãs. Jorge Palma tornou a noite mais especial ainda, com a inclusão de dois temas clássicos no Concerto. Ao piano, interpretou Debussy, a sala silenciou-se maravilhada pela forma, como este tão bem toca temas clássicos. Depois deu espaço ao Quarteto para dar mostras de sua qualidade com uma peça de Stravinsky. Mais tarde, chamou Vicente, e juntos mais uma vez, mostraram como interagem em palco cada vez melhor. Da plateia alguém gritou "Filho de Peixe!..." De destacar Frágil, um momento avassalador, qur fez tremer o CCB, e, levou o público ao delírio. O concerto acabou e o público nunca deixou de aplaudir tendo como recompensa um duplo encore, onde se repetiu Encosta-te a mim, que foi apresentado com um arranjo muito bonito.
Numa palavra... Lindo.
Aqui ficam algumas fotos. Clique aqui, para ver estas e outras em fullscreen.