terça-feira, maio 30, 2006

Ainda a Feira do Livro do Porto II

Godinho e Palma: os cantautores em debate

A música, as palavras e a relação entre ambas. Foi assim que teve início, na passada quinta-feira à noite, a actividade do Café Literário da Feira do Livro do Porto, com um debate submetido ao tema "Escritores de Canções". Dois dos mais ilustres exemplos nacionais da categoria estiveram na mesa: Sérgio Godinho e Jorge Palma. Ao lado, os jornalistas Nuno Galopim (editor do suplemento cultural 6ª, do DN) e Álvaro Costa, este último na qualidade de moderador.
A sessão, que cedo ganhou contornos de tertúlia, vinha a propósito do lançamento do livro Retrovisor (edição Assírio & Alvim), uma biografia de Sérgio Godinho assinada por Nuno Galopim - e disponível na feira a partir de amanhã. "Uma biografia musical, não pessoal", como se apressou a esclarecer o autor de Pano Cru. Mas, mais do que incidir nessa obra, novinha em folha, a conversa evoluiu para as dos dois "cantautores".
Na relação de forças entre música e letra, Godinho, que geralmente começa o seu processo de criação "por uma base musical", não define hierarquias: "São duas artes que se conjugam, preferencialmente não podendo prescindir uma da outra." Palma concorda, mas diz ter-se sentido sempre músico: "Nunca poeta e muito menos escritor, são designações que têm uma carga pesada. Sou poeta de rua, escrevo a propósito do que me inspira, mas de raiz sou músico."
Entre os dois há uma admiração mútua, sendo que o autor de Norte vê em Godinho uma "referência", já desde 72, altura em que tomou contacto com o seu primeiro álbum. "O Sérgio tem a ver com o que eu gosto de ouvir, com as minhas raízes." Do outro lado não se faz esperar o elogio: "O Jorge é um grande talento e escreve de uma maneira que eu reconheço. É o que se passa por exemplo com o Chico Buarque ou o Caetano, eu percebo como eles escrevem aquelas canções. Já o Zeca, foi--me sempre mais difícil compreender como lhe saíam aquelas coisas maravilhosas."
Fazendo a ponte para Retrovisor, cujo título, da autoria de Jorge Colombo, reflecte a ideia de "olhar para trás mas ter caminho para a frente", Sérgio Godinho afirmou que se deve dar a ler "sobre a música portuguesa, os seus criadores e a interacção entre eles". Três aspectos inscritos na obra de Nuno Galopim, como o próprio referiu: "Foi uma ideia que nasceu em 2001. Depois de muitas conversas e gravações, passei à escrita. Ouvi de fio a pavio não só os discos do Sérgio, como os dos que lhe eram satélites. Li entrevistas, acompanhei a História de Portugal... Estamos a falar de um autor cuja obra nos envolve num percurso musical importantíssimo, mas também social e político-"

Texto de Marcos Cruz in Diário de Notícias (www.dn.pt)

Tiago Branco

5 comentários:

António Almeida disse...

boa noite maçã!

António Almeida disse...

arranjas-me a letra da Laura?

Maçã de Junho disse...

Essa letra de autoria de Catarina Furtado, encontra-se disponível em www.jorgepalma.web.pt

António Almeida disse...

não está!
já lá tinha ido, diz "letra indisponível" e não a consigo encontrar em lado nenhum

Maçã de Junho disse...
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