
Estes aviões passaram mesmo na praia, mas o letreiro era tão difícil de ver que tiveram de ser feitos alguns ajustes na imagem.
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fonte: jornal I












Não se pode tentar explicar a intensidade da vida de um palmaníaco. Podem-se tentar esboçar alguns rascunhos, mas não há palavras para a saga que se desenrolou na noite passada. O encontro palmaníaco começou com alguns atrasos e avarias, pequenas coisas que em nada nos impediram de partir para uma das maiores aventuras das nossas vidas. Daquelas que ficam na memória para contar às futuras gerações.
Sentados nos melhores lugares e a desfrutar do esplendor de Belém, começámos por ver o Jorge Palma de guitarra eléctrica na mão, a tocar a "Portugal, Portugal" como se fosse um hino nacional. Acompanhado pelos melhores músicos, Palma deu seguramente um dos melhores espectáculos de sempre. Não só porque se juntaram os melhores do país para dar "Qualquer coisa pá música", porque o que eles deram foi mais do que isso.
Pairava em Belém uma energia que penso só poder ser equiparada ao clima festivo durante os campeonatos europeus de futebol. Os que passaram por aquele palco uniram-se para dar um verdadeiro espectáculo, uma festa que transmitiu boa onda e um espírito de optimismo, confiança e bom humor que nos deixaram em transe e que fizeram pular os portugueses mais sisudos. A arte da música, senhoras e senhores, no seu estado mais puro.
Vimos um Jorge Palma (surpreendentemente) bem comportado e com uma grande postura profissional. Organizar um evento deste calibre e representar o melhor do país é uma grande responsabilidade. O resultado foi o melhor. Os Palmaníacos também se portaram bem, e como bons fãs, fomos, depois do espectáculo, prestar um tributo ao Jorge à entrada do backstage, de guitarra e de copo na mão. Ficámos ali a improvisar até que os seguranças cederam e finalmente nos deixaram ir congratular os artistas da noite.
O que começou por ser uma visita aos bastidores transformou-se milagrosamente numa maratona de música, de rock&roll&blues, de alegria e companheirismo até ao sol nascer. Há horas de sono que valem a pena serem perdidas porque há momentos de sincronização que valem a pena. Também nós, Palmaníacos, demos "Qualquer coisa pá música".
Há coisas que são só nossas. Juntos somos imbatíveis. Em breve o alinhamento e a crítica ao espectáculo estarão alinhavados no BP de um modo mais descritivo e formal. Aqui ficam as minhas memórias. Guardem as fotografias e mandem os vídeos! Queremos tudo! Porque não "vemos sempre a preto e branco o programa que afinal é a cores".
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"Qualquer coisa pá música" foi o mote que inspirou o encerramento das festas de Lisboa, que começaram há dois meses. O espectáculo que teve lugar em Belém para finalizar as comemorações não tem palavras para o descrever. Diria que foi "espectacular", se isso não implicasse cair em redundância.
A qualquer hora, Belém parece um postal daqueles que as "bifas" mandam aos namorados nas férias da Páscoa. Quando se monta um palco junto à torre de Belém, "não há hipótese", como se diz no nuarte (carago!). Temos que nos sentar no relvado a beber uma jola e a pensar que aquele recinto dá para algo em grande, como por exemplo: juntar o Jorge Palma, o Rui Reininho, o Sérgio Godinho, o JP Simões, a Mariza, o Fausto e o Adolfo Luxúria.
Se Portugalol (como diz um krido amigo) é um jardim à beira mar, volto a frisar que Belém é um SPA de verduras que percorrem mais de 5 Kms ao lado da marginal. Tudo isto engolindo o estupidamente colossal CCB e o mosteiro dos Jerónimos.
Mas, voltando à noite passada - nada se podia esperar a não ser uma simbiose perfeita entre excelentes músicos que já há muito tempo andam na estrada. Só ontem é que podíamos ver, num record de 2 horas, um Rui Reininho engravatado a cantar o "Frágil" tal como um groovie Bowie português; um pictórico Adolfo trovador a dar o estilo dos "Mão Morta" ao tema "À Espera do Fim"; a Mariza a transformar em épico o fado da "Canção de Lisboa"; o Gordinho a bancar o papel de avô cantigas e um JP Simões, cujo timbre nem tem comparação com o Jacques Brel, a trautear o "Bairro do Amor". Cada convidado, entre outros que se apresentaram (como a quase anónima mas arrepiante Cristina Branco), deu o seu cunho pessoal a uma interpretação única que tinha apenas por objectivo dar "Qualquer coisa pá música". Simples e porreiro, pá.
De borla, entrada mais do que livre, como gostam os portugueses. A escolástica do país 'teve toda lá para dar o exemplo aos mais pequenos. Em termos politicamente correctos, foi uma reciclagem e uma forma de maximizar os recursos, valorizando o PIB. Na capital, reuniram-se os melhores num plural majestático. Simply de Best.
Ana Rita Nascimento
AR
Alinhamento oficial
1 -Portugal, Portugal (Toca a Rufar e Gaiteiros de lisboa)
2 - Rosa Branca
3 - Voo Nocturno
4 - Olá (cá estamos nós outra vez)
5 - Frágil (Rui Reininho)
6 - Cara d'anjo Mau
7 - Deixa-me Rir
8 - Canção de Lisboa (Mariza)
9 - Bairro do Amor (JP Simões)
10 - Gaivota dos Alteirinhos
11 - Abrir o Sinal
12 - Estrela do Mar (Cristina Branco)
13 - Maçã de Junho
14 - Jeremias,o Fora da Lei (Sérgio Godinho)
15 - À Espera do Fim (Adolfo Luxúria Canibal)
16 - Só
17 - Quarteto da Corda
18 - Dá-me Lume (Fausto)
19 - Finalmente a Sós
20 - Encosta-te a Mim (Gaiteiros de Lisboa)
21 - Picado pelas Abelhas
22 - A gente Vai Continuar (TODOS)
Fotos: 1ª de Tiago Bártolo/3 seguintes de BP/ restantes de Ricardo Calhau

Agradecimento especial a Hélder Gomes