sexta-feira, dezembro 21, 2007

'Té Já - 30 anos

LP Diapasão/ Sasseti DIAP 16009

1)Ainda Há Estrelas No Teu Olhar (I)
2)Podem Falar
3)Eu Sei Lá
4)Eles Já Estão Fartos
5)Obrigação
6)Meu Amor (Agora Não Fiques Para Aí a Dormir)
7)O Amigo das Plumas Coloridas
8)Quando A Gente Lá Chegar
9)O Bairro do Amor
10)A Bem da Nossa Civilização
11)Meio-Dia
12)Há Sempre Alguém
13)Ainda Há Estrelas No Teu Olhar (II)

Letras e músicas de Jorge Palma.

Músicos:

Jorge Palma (voz,piano,arranjos e direcção)
Júlio Pereira (guitarras)
Luís Duarte (guitarra baixo e contrabaixo)
Rão Kyao (saxofone e flauta)
Guilherme Inês (bateria)
Vítor Mamede (bateria)
Luís Pedro Fonseca (sintetizador moog)
Armindo Neves (guitarra)

Ficha técnica e Artística:

Gravação: Estúdios Valentim de Carvalho (Paço d'Arcos), a 20 de Junho de 1977
Técnico de som: Hugo Ribeiro
Capa: João Gentil e Henri Tabot
Grafismo: C. Augusto

'Té Já foi reeditado em CD no ano de 1994 (17 anos após a sua edição).

in Terra dos Sonhos

'Té Já- 30 anos



Neste ano que marca a consagração pelo público em geral de Jorge Palma, o Blogue Palmaníaco lembra os 30 anos da edição do segundo álbum de originais de Jorge Palma, com o registo Té Já. Um álbum repleto de composições e letras intervencionistas e como não podia deixar de ser, pródigo em retratos de vidas.

Ao longo dos próximos dias partilharemos os poemas que compõem este registo, alguns dos quais se transformaram em marcos da carreira de Jorge Palma, e presença constante nos seus concertos até hoje.

terça-feira, dezembro 18, 2007

Jorge Palma - Agenda de concertos para 2008

12 de Janeiro- Casino da Figueira da Foz (com Os Demitidos)

25 de Janeiro- Auditório Municipal do Seixal (com Vicente Palma)

26 de Janeiro 2008- Teatro-Cine Torres Vedras (com Vicente Palma)

1 de Fevereiro- Casino de Vilamoura (com Vicente Palma)

2 de Fevereiro- Casino de Vilamoura (com Vicente Palma)

4 de Fevereiro- Manteigas (com Os Demitidos)

8 de Fevereiro- Cine Teatro S. Pedro (com Vicente Palma)
Abrantes

14 de Fevereiro-Teatro José Lúcio da Silva (com Vicente Palma)
Leiria

23 de Fevereiro- Teatro Académico Gil Vicente (com Vicente Palma)
Coimbra

29 de Fevereiro- Centro Cultural de Belém (com quarteto de cordas)
Lisboa

15 de Março- Centro de Arte e Espectáculos (com Vicente Palma)
Portalegre

28 de Março- Centro Cultural de Paredes de Coura (com Vicente Palma)


12 de Abril- Cine-Teatro João Mota (com Vicente Palma)
Sesimbra

19 de Abril- Forum Luísa Tody (com Vicente Palma)
Setúbal

24 de Abril- Lagos (com Os Demitidos)

2 de Agosto- Vila de Rei (com Os Demitidos)

23 de Agosto- Trancoso (com Os Demitidos)

sexta-feira, dezembro 14, 2007

Carta Branca a Jorge Palma

Como o Blogue Palmaníaco tinha anunciado a 17 de Julho, Jorge Palma sobe ao palco do CCB para apresentar o seu mais recente trabalho, Voo Nocturno.
Em resposta ao desafio que lhe foi proposto pelo CCB, o músico faz-se acompanhar por um quarteto de cordas. Em conjunto, irão reinventar uma colectânea de canções do músico e compositor, conferindo-lhe novos arranjos e criando novas sonoridades à sua própria música.
É Jorge Palma como nunca o ouviu, num concerto irrepetível !
in www.ccb.pt


O Blogue Palmaniaco informa também que embora ainda faltem cerca de dois meses e meio para o dia do concerto (29/2/2008), já não há muitos bilhetes disponíveis!

terça-feira, dezembro 11, 2007

Jorge Palma recebe o primeiro disco de Dupla Platina da sua carreira com Voo Nocturno

Voo Nocturno, o novo álbum de originais de Jorge Palma, atingiu o galardão de dupla platina. É a primeira vez que o artista vê um disco seu atingir tal marca.
Indiscutivelmente um dos maiores êxitos deste ano, “Voo Nocturno” encontra-se desde a sua data de edição (mais precisamente, há 22 semanas!!!) entre os discos mais vendidos, tendo ocupado o 1º lugar do top nacional de vendas durante 4 semanas consecutivas.
Destaque ainda para o single “Encosta-te a mim” um dos temas mais tocados nas rádios nos últimos meses.


Parabéns Palma!!!

(o Blogue Palmaníaco agradece à MS Management)

segunda-feira, dezembro 10, 2007

domingo, dezembro 09, 2007

"Boa Noite Alvim" com Jorge Palma

Jorge Palma e Merche Romero serão esta semana, convidados de Fernando Alvim, no seu programa semanal Boa Noite Alvim, na Sic Radical. Terça Feira ás 23horas.

O programa repete quarta-feira às 02.00h, quinta-feira às 05.00h e domingo às 23.00h.

sábado, dezembro 08, 2007

Concerto em Matosinhos



A brincar com as teclas do piano, tornou a noite em algo admirável...

A Estrada Continua, em bom caminho....



O meu amor existe
Meu amor não fiques para aí a dormir
No Tempo dos Assassinos
Voo Nocturno

Vermelho Redundante
Deixa-me Rir
Estrela do Mar
Frágil
Mifá
Abril o Sinal
Gaivota dos Alteirinhos
Encosta-te a mim
Bairro do Amor
Maçã de Junho
Fui um Lobo Malvado
Dormia tão Sossegada
Jeremias, o Fora da Lei
A gente vai continuar
Portugal, Portugal
Finalmente Sós
Dá-me Lume
Cara d'Anjo Mau

quinta-feira, dezembro 06, 2007

Jorge Palma em Matosinhos

Amanhã, 7 de Dezembro pelas 22 horas no Salão Nobre da Câmara Municipal de Matosinhos, concerto integrado nas comemorações dos 20 anos do edifício da Câmara, projectado pelo arquitecto Alcino Soutinho. A entrada é livre, estando sujeita a presença à limitação de lugares disponíveis na sala.

terça-feira, dezembro 04, 2007

Canção de Lisboa: análise

ONDE ESTÁS TU, MAMÃ? (CANÇÃO DE LISBOA)




A Canção de Lisboa parece-nos um bom exemplo de uma canção típica do solitário Jorge Palma. Esta canção surge primeiro com a poesia, que só posteriormente foi musicada, tendo por base uma sequência de acordes extraída do Frère Jacques em modo menor, tal como ele foi citado pelo Mahler numa das suas sinfonias,aquando do seu uso como marcha fúnebre.







Jorge aqui lembrou-se dessa ocorrência, e talvez levado pelo espírito depressivo e pelo ambiente pesado do poema, achou adequado adoptá-lo.

O Poema compõe-se de 4 estrofes de oito versos que são cantadas duas a duas em Dó menor, entrecortadas por um pequeno refrão sempre bisado no modo maior.

Os serões habituais
E as conversas sempre iguais
Os horóscopos, os signos e ascendentes
Mais a vida da outra sussurrada entre dentes
Os convites nos olhos embriagados
E os encontros de novo adiados
Nos ouvidos cansados ecoa
A canção de Lisboa

O poema começa por nos falar da monotonia que se esconde por detrás das relações que nem sempre correm bem e como isso conduz à solidão.

Não está só a solidão
Há tristeza e compaixão
Quando o sono acalma os corpos agitados
Pela noite atirados contra colchões errados
Há o silêncio de quem não ri nem chora
Há divórcio entre o dentro e o fora
Há quem diga que nunca foi boa
A canção de Lisboa

Na segunda estrofe há um reforço da ideia de como a solidão se afirma, mesmo quando as pessoas procuram outras que nem sempre são o amor desejado, apenas um consolo para o corpo físico.

A urgência de agarrar
Qualquer coisa para mostrar
Que afinal nós também temos mão na vida
Mesmo que seja à custa de a vivermos fingida
Um estatuto para impressionar o mundo
Não precisa de ser mais profundo
Que o marasmo que nos atordoa
Ó canção de Lisboa

Na terceira estrofe já nos é mostrada uma outra perspectiva, de como nós também temos necessidade afinal, é de nos afirmarmos custe o que custar, nem que seja através de ilusões ou dissimulações.

As vielas de néon
E as guitarras já sem som
Vão mantendo viva a tradição da fome
Que a memória deturpa e o orgulho consome
Entre o orgasmo na gruta ainda fria
E o abandono da carne vazia
Cada um no seu canto entoa
A canção de Lisboa

A quarta estrofe é o culminar disto tudo com o retorno a uma solidão profunda, após um acto sexual consumado, sem qualquer significado.

Estas quatro estrofes aparecem sempre sob a égide dum pessimismo associado ao urbanismo Lisbonense, o que talvez traduza a visão que Jorge nesta altura tinha de Lisboa: uma cidade povoada de solitários que, fingiam a sua felicidade e a dissimulavam em relações fortuitas e fracassadas e, em sinais exteriores de riqueza. Jorge tenta denunciar talvez, a hipocrisia que se apoderou da urbe portuguesa. Neste contexto, é no fundo uma canção com um certo cariz de intervenção social e um alerta para todos nós.

Tudo isto se passa musicalmente sob um condão depressivo da tal pseudo marcha fúnebre e acordes pesados. A única excepção é a pequena transição para o refrão, onde aparece uma pequena escala de blues debaixo das palavras "canção de Lisboa":

Esta transição é importante, porque o refrão aparece sempre em modo maior e com um cariz musicalmente alegre, de folia. A letra não traduz exactamente isso, mas talvez uma certa ironia ou um joguete infantil.

Mamã, mamã
Onde estás tu, mamã?
Nós sem ti não sabemos, mamã
Libertar-nos do mal

A utilização de "mamã" ao invés de mãe denota logo, uma intenção clara. Jorge procura aqui mostrar como todos nós somos vulneráveis, que, afinal, andamos perdidos e que, no fundo, ao procurarmos as relações sem sentido, buscamos sim um apoio materno que talvez já não exista ou não seja possível atingir.

Jorge canta a nossa incapacidade e o nosso desespero por não conseguir fazer nada direito e nos sentirmos frustrados, com uma aura de optimismo estonteante o que só pode remeter para uma ironia e um gozo do destino ou, quanto muito, para uma alegoria de como éramos felizes em criança quando tínhamos a “mãezinha” do nosso lado para nos livrar das alhadas e, não nos metíamos em confusões.

Estas duas atmosferas contrastantes compõem assim a “Canção de Lisboa”, que fecha tal qual começou: com a série de acordes fúnebres e, a cadenciar no acorde de dó menor, dando a entender, que a depressão urbana, por muito que tentemos fugir dela está para durar e é um ciclo sem saída.
Análise de Tiago Videira