domingo, janeiro 06, 2008

'Té Já- 30 anos

Meio-Dia

Meio-dia...
Tudo continua igual nesta cidade
Onde tentam fazer de mim, o que eu não quero ser, não, não
E onde há sempre alguém que diz "agora é que vai ser...",
E o relógio diz meio-dia...
Como vai ser bom voltar às montanhas donde vim
Poder nascer de novo em plena liberdade
Onde há sempre alguém que diz "anda cantar..."

Cada dia mais distante
O meu irmão partiu
Cada dia mais ausente
A minha irmã ficou

Eu sei que um dia acabamos por nos reencontrar
Nalguma esquina sem luz, onde se queimem ilusões
Eu sei que um dia acabamos por nos cruzar
E dizer de novo... adeus

Cada dia mais distante
O meu irmão partiu
Cada dia mais ausente
A minha irmã ficou

Eu sei que um dia acabamos por nos reencontrar
Nalguma esquina sem luz, onde se queimem ilusões
Eu sei que um dia acabamos por nos cruzar
E dizer de novo ......'TÉ JÁ!...

quinta-feira, janeiro 03, 2008

'Té Já- 30 anos

A Bem da Nossa Civilização

Quando há pouco te ouvi conversar
Foi um prisioneiro em quem o carcereiro pode confiar
Quem eu ouvi falar

Mas os pontapés que vais evitando
Não se perdem, não, e é o teu irmão quem os vai apanhar
Desculpa estar-te a lembrar...

As coisas podem nunca parecer o que elas são
E é por isso que tu vais engolindo toda a droga que eles te dão
E se um dia fazes ondas de mais, tiram-te a ração...
A bem da nossa civilização!

Quando alguém tenta convencer-te
Que o dever é agir conforme o que ele decidir, ele não te está a ajudar
Ele só te está a usar...

A confusão aumenta em teu redor
E não te deixa abrir, não te deixa sentir que só tu podes saber
O que tens a fazer

As coisas podem nunca parecer o que elas são
E é por isso que tu vais engolindo toda a droga que eles te dão
E se um dia fazes ondas de mais, tiram-te a ração...
A bem da nossa civilização!

As coisas podem nunca parecer o que elas são
E é por isso que tu vais engolindo toda a droga que eles te dão
E se um dia fazes ondas de mais, tiram-te a ração...
A bem da nossa civilização!

quarta-feira, janeiro 02, 2008

'Té Já- 30 anos

O Bairro do Amor

No bairro do amor a vida é um carrossel
Onde há sempre lugar para mais alguém.
O bairro do amor foi feito a lápis de côr
Por gente que sofreu por não ter ninguém.

No bairro do amor o tempo morre devagar
Num cachimbo a rodar de mão em mão
No bairro do amor há quem pergunte a sorrir:
Será que ainda cá estamos no fim do Verão?


Eh pá , deixa-me abrir contigo
Desabafar contigo
Falar-te da minha solidão.
Ah, é bom sorrir um pouco
Descontrair um pouco
Eu sei que tu compreendes bem.

No bairro do amor a vida corre sempre igual
De café em café, de bar em bar.
No bairro do amor o Sol parece maior
E há ondas de ternura em cada olhar.

O bairro do amor é uma zona marginal
Onde não há hotéis, nem hospitais.
No bairro do amor cada um tem que tratar
Das suas nódoas negras sentimentais.

Eh pá , deixa-me abrir contigo
Desabafar contigo
Falar-te da minha solidão.
Ah, é bom sorrir um pouco
Descontrair um pouco
Eu sei que tu compreendes bem.

Bairro do Amor: Entre o Guincho e a Parede, antes do primeiro, depois da segunda. Estás a compreender?"
Jorge Palma (no livrete do álbum Palma's Gang - Ao Vivo no Johnny Guitar)

terça-feira, janeiro 01, 2008

'Té Já- 30 anos

Quando A Gente Lá Chegar

Trocaram o primeiro olhar numa manhã de Verão,
Quando a cidade se agitava em plena confusão.
Ela sorriu, ele sorriu e tudo foi tão natural
Que eles não perderam mais tempo e arrancaram em direcção ao Sol.

Ah! Quando a gente lá chegar
A coisa vai ter outra dimensão.
Ah! Quando a gente lá chegar
A coisa vai ter outra dimensão.

Treparam por degraus de espuma e mergulharam na luz.
Gotas de orvalho vieram brincar sobre os dois corpos nus.
O tempo parou, a guerra acabou e o Mundo era um grande jardim
Onde se ouvia uma estranha sinfonia sem princípio nem fim.

Ah! Quando a gente lá chegar
A coisa vai ter outra dimensão.
Ah! Quando a gente lá chegar
A coisa vai ter outra dimensão.

A pouco e pouco a terra voltou de novo a girar
E o tic-tac do relógio não tardou a soar.
Ela sorriu, ele sorriu e tudo foi tão natural
Que eles nem disseram adeus quando a noite chegou para os separar.

domingo, dezembro 30, 2007

Jorge Palma recebe o Duplo Platinado "Voo Nocturno" Video

Como o Blogue Palmaniaco tinha reportado, Jorge Palma recebeu no dia 22 de Dezembro em directo no programa Herman Circo o disco de dupla platina. Ficam aqui as imagens desse momento.



Imagens gentilmente cedidas por: http://hermanjose.blogs.sapo.pt/

sábado, dezembro 29, 2007

'Té Já- 30 anos

Meu Amor (agora não fiques para aí a dormir)
Meu amor,
Parece que agora vou seguir sem ti
Subir e descer,
Correr na lama e voar outra vez...

Sei muito bem onde quero chegar
E sei que não há tempo a perder
Que a tua voz me possa encorajar!


Meu amor,
Agora não fiques para ai a dormir...
Um fato de marinheiro
Não chega para se entender o mar.

Espero que aprendas bem a remar
E espero que a luz do teu farol
Te possa sempre iluminar!

sexta-feira, dezembro 28, 2007

'Té Já - 30 anos

Obrigação

Sim, meu amor, está bem meu amor
Eu sei que tu tens razão
Dizia-te eu, às vezes, para acabar com a discussão...
E lá íamos vivendo
Entre dois copos e um bom colchão
Um futuro à nossa frente
E muito amor para mostrar a toda a gente.
Como era bem vivermos a dois
Sem nos darmos mal
(Uma canção estrangeira e um filme antigo no telejornal),
E uma noite tu disseste:
Já dei p'ra ti, meu... vou arrancar!
E lá fiquei eu, sozinho
A conversar com os meus botões
E a tentar descobrir a causa
Que nos levou a tal situação...
Já achei uma ideia que é bem capaz
De ser a solução:
Acho que nós passamos muito tempo
A misturar tripas com coração
E a verdade é bem diferente.

Para haver amor, não pode haver o-briga-ção.

quinta-feira, dezembro 27, 2007

'Té Já - 30 anos


Eles Já Estão Fartos


Dizes que é uma miséria veres os teus próprios filhos
Transformados em vadios e drogados
O teu orgulho de pai está ferido

Apressas-te a culpá-los, mais à sua geração
Por não quererem alinhar na engrenagem
Que eles viram esmagar o teu pobre coração

Eles já estão fartos de saber o que tu queres deles
Eles já estão fartos de saber quem quer vendê-los
Eles já estão fartos de ouvir dizer: tem que ser
E agora eles tentam viver doutra maneira qualquer

Faz-te imensa confusão vê-los andar pelas ruas
Com o olhar fixo em qualquer ponto do espaço
E umas maneiras tão diferentes das tuas

Faz-te imensa confusão vê-los tristes e cansados
Para ti, eles não passam de uns preguiçosos
Contagiados pelas más companhias

Eles já estão fartos de saber o que tu queres deles
Eles já estão fartos de saber quem quer vendê-los
Eles já estão fartos de ouvir dizer: tem que ser
E agora, eles tentam viver doutra maneira qualquer

Quem é que os levou a ser assim tão frios e indiferentes
Para com os pais que tanto se esforçaram
Para que eles pudessem vencer toda a gente?

Quem é que os levou a ser tão ingratos e egoístas
Para quem não olhou a sacrifícios
Para que os seus filhos dessem nas vistas?

Eles já estão fartos de saber o que tu queres deles
Eles já estão fartos de saber quem quer vendê-los
Eles já estão fartos de ouvir dizer: tem que ser
E agora eles tentam viver doutra maneira qualquer

Eles já estão fartos de saber que a Guerra existe
Eles já estão fartos de saber que a Fome existe
Eles já estão fartos de saber que a Família existe
Eles já estão fartos de saber que a Igreja existe
Eles já estão fartos de saber que o Estado existe
Eles já estão fartos de saber o que os deixam fazer
Eles já estão fartos de saber o que os deixam fazer
Eles já estão fartos de saber o que os deixam fazer

terça-feira, dezembro 25, 2007

'Té Já- 30 anos

Eu Sei Lá

Eu sei lá
Se tu te estás bem nas tintas para aquilo que eu vou dizer.
Eu sei lá
Se vais fazer duas fintas, embarcar no teu copo e esquecer ...

Mas mesmo assim vou-te contar
A história de um homem vulgar
Que se convenceu que um dia um dia havia de enriquecer
E o gajo andou de lugar em lugar,
Passou toda a vida a fuçar,
Para poder comprar um caixão de luxo e adormecer.

Eu sei lá
Se uma jogada financeira chega a fazer alguém enlouquecer.
Mas eu já sei
Que existem muitas maneiras de enganar os cegos que não querem ver.


Neste preciso momento,
Os magnates do cimento
Discutem sobre a morte de mais um pomar.
Num gabinete fechado,
Os donos de um outro mercado
Decidem onde e quando outra guerra vai começar...


O Blogue Palmaníaco aproveita para desejar a todos um Bom Natal

segunda-feira, dezembro 24, 2007

'Té Já- 30 anos

Podem Falar

A coisa assim não dá, disse-me um dia o meu pai
Tu vives em sociedade e tens que perceber
Que as regras são para se cumprir... não sei se tu estás a ver, pá...
Ah, ah! - disse eu - Estou a ver muito bem...
Mas já agora diz lá que culpa tenho eu
Que no teu jogo existam cartas que não fazem sentido no meu...

Podem falar, podem falar,
Que o meu lugar é andar e o meu passo é correr
De vez em quando a cantar de vez em quando a sofrer.
Podem falar, podem falar,
Mas estão a perder tempo se pensam que um dia me hão-de amarrar.

As principais capitais aprendi eu no liceu,
Vi retratos de reis em tronos de ouro e marfim,
Mas ninguém me ensinou a nadar no rio que nasce dentro de mim.
Um dia pus-me a lutar, com as minhas contradições
Estive quase a morrer, mas acabei por escapar.
Para quem ama a liberdade o importante é nunca parar

Podem falar, podem falar,
Que o meu lugar é andar e o meu passo é correr
De vez em quando a cantar de vez em quando a sofrer.
Podem falar, podem falar,
Mas estão a perder tempo se pensam que um dia me hão-de amarrar.

Já vi muita gente a tentar agradar
A todo o gajo que pensa que nasceu para mandar,
Mas tenho visto muita gente que está só, a morrer devagar,
E a distância que existe entre o não ser e o ser
É uma questão de não se ter medo de ir longe demais.
O que ainda não tem preço é sempre o que vale mais.

Podem falar, podem falar,
Que o meu lugar é andar e o meu passo é correr
De vez em quando a cantar, de vez em quando a sofrer.
Podem falar, podem falar,
Mas estão a perder tempo se pensam que um dia me hão-de amarrar.