
(imagem cedida por Mário Ferreira)
Jorge Palma no Coliseu dos Recreios
Com uma grande plateia VIP, Palma merecia mais feedback do público! Principalmente quando se senta ao piano e mostra porque é que é um dos melhores músicos portugueses!
Primeiro impacto ainda antes do concerto: estranheza!
Estava eu a acabar de arrumar o carro e noto muito pessoal mais velho (com os seus 40 e 50 anos) com um estilo muito “tio” e “tia” e mesmo os mais novos com o seu polozito e tudo muito bem arranjado.Pensei eu com os meus botões: “Queres ver que me enganei no concerto??” . Andei mais uns passos e finalmente começo a encontrar o pessoal novo, com um ar mais maltrapilho (como eu, no fundo...).
A entrada no Coliseu confirmou mesmo esta primeira impressão: o público de Jorge Palma é tão heterogéneo quanto possível: temos os tios, as tias, os freaks, os nerds, os velhos, os novos, os homens e as mulheres.
Jorge Palma é hoje consensual. Sempre considerado pela crítica como um músico brilhante e autor das canções mais fantásticas da música portuguesa, a imagem de boémio nunca o largou e chegou a passar a certa altura a imagem de “cantor marginal”. Mas por volta de 2002, 2003 (na altura do Best of e do disco ao vivo “No tempo dos assassinos”), parece que toda a gente acordou para a vida! Inclusive as rádios (ou se calhar, principalmente as rádios!!). E foi justamente com a abertura de “RFM apresenta...” que se iniciou o concerto.Irónico, não??
Antes disso, um pequeno aparte para a lista VIP que eu tenha visto. Era “só” composta por: Ricardo Araújo Pereira, David Mourão Ferreira, João Afonso, Pedro Rolo Duarte, Olavo Bilac, Fernando Cunha, Zé Pedro e o grande mestre Sérgio Godinho (a quem todos, sem excepção, fizeram questão de ir cumprimentar)!! Estes foram apenas os que eu vi. Mas imagino que houvessem mais, muitos mais. O que também mostra a amizade que existe entre os músicos portugueses (bem evidente também no vídeo de “Encosta-te a mim”).
Com os seus Demitidos e apresentando o seu último disco, Jorge Palma “ataca” a audiência com “Rosa Branca”, sendo que a restante setlist foi a seguinte: “Voo Nocturno”, “Só”, “Vermelho Redundante”, “Quarteto da Corda”, “Norte (o meu)”, “Olá (Cá estamos nós outra vez)”, “Abrir o Sinal”, “Bairro do Amor”, “Encosta-te a mim”, “Frágil”, “Dá-me Lume”, “O Centro Comercial fechou”, “Valsa de um homem carente”, “Estrela do Mar”, “Gaivota dos Alteirinhos”, “Casa do Capitão”, “Finalmente a sós”, “Portugal, Portugal” e como encore “Canção de Lisboa” e “A Gente Vai Continuar”.
Momentos altos?
Desde o primeiro arrepio com “Só” ao aplauso profundo e sentido à melhor música do seu último álbum “Olá (Cá estamos nós outra vez)”. Se em álbum, esta música tem um crescendo fantástico, ao vivo é completamente avassalador. Se juntarmos a isto um jogo de luzes muito bem conseguido, temos claramente um dos melhores momentos da noite!
Além disso, houve o já habitual esquecimento da letra por parte de Jorge Palma (desta vez calhou em “Dá-me Lume”) aplaudido por todos! Para o final, em “Portugal, Portugal” juntaram-se 4 guitarras em palco, sendo que uma delas era a de Flak dos Rádio Macau!
Pontos fortes?
Palma ao piano! Não é que a banda não seja boa. Bem pelo contrário. Mas é com Palma sentado ao piano, com as luzes focadas nele que a sua música ganha toda uma aura fantástica! “Só”, “Bairro do Amor”, “Estrela do Mar”, “Canção de Lisboa” e “O Centro Comercial fechou” são disso exemplos gritantes!! Momentos arrepiantes!
Pontos fracos?
Pareceu-me existir alguma “vergonha” do público em acompanhar Jorge Palma. Palma foi comunicativo q.b, mas tirando umas “bocas” que o pessoal ia mandando e que Palma respondeu sempre à letra, o público esteve um pouco apagado. Jorge Palma merecia mais.Ah, e outro ponto fraco: não houve “Terra dos Sonhos”...Falha grave! Lol
Moral da história?Palma esteve bastante bem, a setlist foi muito bem escolhida e Palma conseguiu sempre imprimir um ritmo muito forte à actuação! As músicas do novo álbum também ajudam muito porque realmente estão muito bem conseguidas.
Se calhar, merecia um pouco mais de “público” que puxasse mais pelas músicas e que não fosse apenas o “aplauso da ordem” no final de cada uma delas. E se calhar, esse público também deveria ter ouvido um pouco de Jorge Palma antes de ir para o concerto.
Sei que Palma está na moda e que começa a ser “in” ir ver Jorge Palma. Mas já agora, façam o trabalho de casa e ouçam uns disquitos dele...
RobertNaja, hoje às 9:58 Editado por Blitz
( agradecimento a Ana Coelho)
Jorge Palma : Em voo rasante no Coliseu dos Recreios
Poeta, cantor, desalinhado. Autor e compositor e um mestre a criar canções. Um mestre da palavra escrita e cantada. Um cantor que ganhou asas e voou. Num voo nocturno.
A entrada em palco foi tranquila. De guitarra na mão apresentou-se ao público com «Rosa Branca». Um momento de rock para abrir o concerto esgotado, de ontem à noite, no Coliseu dos Recreios.
E assim começou uma espécie de voo rasante sobre o amor, confirmado logo na música seguinte: «Voo Nocturno». A faixa que deu o nome ao último álbum foi retirada do imaginário de Saint-Éxupery e fala-nos de um Jorge Palma que se «sente mais leve do que o ar». E que não resiste - «sem saber resistir (...) não sei onde vou acordar».
Jorge Palma é um poeta de voz rouca. Um homem de palavras escritas. Escritas para cantá-las. Mas um homem de poucas palavras em palco. Talvez porque jurou fidelidade à escrita, viajou de música em música à guitarra ou ao piano sem grandes comentários. Não é um show man. Pelo contrário. Aparenta simplicidade mas muita sensibilidade. E foi dando pistas: «Só por existir/Só por duvidar/Tenho duas almas em guerra/E sei que nenhuma vai ganhar» disse-nos no tema «Só».
«Vermelho redundante» e «Quarteto de Corda» foram os temas que antecederam o primeiro desabafo ao microfone «É tão bom!». Uma resposta de Jorge às palmas que traduziram desde cedo o agrado do público.
«Olá (cá estamos nós outra vez)» foi o primeiro momento intimista da noite. Sentado ao piano desafiou as notas para acompanhar «Entre o ócio e as esquinas/Ganhei o vício da estrada». Um tema melancólico com uma batida forte.
As palmas, essas, também foram fortes, mas mesmo assim não conseguiram abafar o grito de alguém da plateia «Ó Jorge!» O músico respondeu: «Mas não sei o teu nome...»
Mas o público sabia e acompanhou em coro «o Bairro do amor». Jorge pareceu contente, soltou um grito e agradeceu ao amigo Cristovão, à Inha e à Paula Freitas todo o apoio.
Também não esqueceu o público e aproveitou para finalmente o brindar com o tão desejado «Encosta-te a mim».
O passado foi ainda revisitado com os temas «Frágil» e «Dá-me lume» que antecederam o momento de passar à crítica social. «O Centro Comercial fechou» é uma balada tocada ao piano que vai contando uma história. Do passado e do presente porque «enquanto houver saúde/há que cuidar do aspecto, fazê-lo parecer natural/por mais que seja cruel, não há ninguém que ajude».
«Valsa de um homem carente» e «Estrela do mar» antecederam «Gaivota dos Alteirinhos». Um tema que nos fala da praia dos Alteirinhos, na Zambujeira do Mar, um paraíso do qual Jorge Palma é fã, foi acompanhado pelo som do acordeão de Gabriel Gomes.
E não faltou o pássaro que assim voltou ao cenário. Ao longo de todo o espectáculo o público pode observar o mesmo pássaro que surge na capa do CD a surgir e a desaparecer do cenário. Os mais criativos podem imaginá-lo a voar sobre o palco e a pairar, sempre que solicitado, por cima da cabeça de Jorge Palma. Uma imagem projectada que dá ao público mais atento a sensação de movimento. Como se de um voo se tratasse! Um voo nocturno
«Ai, Portugal, Portugal/De que é que tu estás à espera?» ganhou ritmo para a despedida de Jorge Palma e a banda «Os Demitidos». Vários focos de luzes a rodar na direcção da plateia anunciavam o fim do espectáculo. Porque depois de apresentar os músicos um a um, Jorge Palma abandonou o palco sem mais palavras.
Essas ficaram bem guardadas para serem cantadas no único encore da noite. Depois dos aplausos insistentes da plateia, Palma regressou e afirmou ir cantar apenas mais «duas para a estrada». A mesma a que a meio do concerto se referiu dizendo que «pode matar, mas dá muito gozo!»
«Canção de Lisboa» foi um tema dedicado aos lisboetas que disseram presente no Coliseu dos Recreios mas «A gente vai continuar» encerrou definitivamente o espectáculo. Talvez um aviso à navegação: «Enquanto houver estrada para andar, A gente vai continuar»
Reportagem de Irene Pinheiro, in http://www.musica.iol.pt/
Jorge Palma no Coliseu dos Recreios: Frágil
O que poderia ter sido uma noite de festa acabou transformada em semi-desilusão. As brilhantes canções de Jorge Palma acabaram atraiçoadas por algum desleixo, evitável.
Dizem as más-línguas que já não tem graça ver Jorge Palma em cima de um palco sem estar ébrio, incapaz de encontrar o microfone ou sequer de não acertar uma letra. Não terá sido que se passou nos Coliseus dos Recreios mas a noite de celebração de uma carreira acabou por se ficar pela intenção.
Com a voz afectada por uma faringite aguda e um espectáculo mal preparado, foi difícil disfarçar algumas das fragilidades que Jorge Palma apresentou ao longo do seu percurso. «Vamos ver o que esta dá», disse a determinado momento, mas a responsabilidade era demasiado grande para entregar aquele momento ao acaso.
O alinhamento incoerente e com demasiadas pausas entre as canções quase fez esquecer brilhantes passagens por «Frágil», «Só» e «Na Terra dos Sonhos». De resto, foi sozinho, sentado ao piano, que Jorge Palma, mais uma vez, se mostrou à vontade, ao contrário do tempo em que foi acompanhado pelos Demitidos.
Não se trata de uma questão de falta de qualidade da banda, bem pelo contrário, mas de interacção, para que desastres como «Dá-me Lume», sejam evitados. De resto, a duração reduzida do espectáculo (cerca de uma hora e meia) acabou por não ser contestada pelo público, o que não é um bom sinal.
Davide Pinheiro, in Diário Digital
(agradecimento a Maurette Brandt)
Palma em lume brando
Jorge Palma apresentou-se, anteontem, em palco perante um Coliseu dos Recreios lotado e durante cerca de hora e meia desfilou uma série de êxitos antigos, cruzados com as novidades do recente disco, "Voo nocturno".
Na plateia, o público raramente manifestou extâse, além, claro, dos habituais aplausos da praxe. Nesse sentido, o ambiente da sala foi sempre morno.
Habitualmente conotado com uma postura ébria, displicente e até irresponsável, dir-se-á que, desta vez, Jorge Palma até se portou bem. Mandou uma ou outra piada, respondeu a um ou outro comentário do público, mas não armou grandes fitas - e ainda bem.
Todavia, e como seria de esperar, foi notório que a assistência reagia melhor aos momentos em que Palma se entregava às canções mais despojadas de instrumentos.
O arranque, com "Rosa branca", por exemplo, afigurou-se demasiado rockeiro para uma sala em que toda a gente via o concerto sentada.
A sua banda - os Demitidos - é composta por bons músicos, sim, mas os arranjos nem sempre pareceram os mais adequados para aquele contexto. Salvou-se, todavia, a guitarra slide de Marco Nunes.
De resto, o espectáculo só ganhava encanto nos momentos em que Palma se sentava ao piano ou colocava a guitarra ao peito apenas acompanhado pelo seu filho, Vicente Palma, como em "Abrir o sinal" ou "Bairro do amor", por exemplo. Ainda assim, canções como "Encosta-te a mim", o último single, ou "Frágil", ambas com a banda, foram dos momentos mais aplaudidos da noite.
Jorge Palma abandonou o palco 90 minutos depois de lá ter entrado. Na assistência, não faltou quem achasse que soube a pouco. Ontem à noite, o cantor terá dado um segundo concerto na sala lisboeta.
Hoje, é a vez da Invicta. A partir das 22 horas, Jorge Palma apresenta-se no Coliseu do Porto. Todavia, já não há ingressos disponíveis, uma vez que a elevada procura fez com que a lotação esgotasse há já alguns dias. Resta tentar a sorte no mercado negro.
Entretanto, o cantor continua a ver "Voo nocturno" em primeiro lugar do top nacional dos discos mais vendidos, prosseguindo à frente de "Concerto em Lisboa", da fadista Mariza, e de "Lado a lado", de Mafalda Veiga e João Pedro Pais.
Cristiano Pereira, in Jornal de Notícias
Coliseu encheu para celebrar o " fenómeno" Jorge Palma
Concerto repete-se hoje em Lisboa e amanhã no Porto, sempre no Coliseu.
Foi ao som de Rosa Branca que Jorge Palma entrou em cena para uma noite que, à partida, parecia ganha tal o entusiasmo logo manifestado nos instantes que antecederam a subida ao palco. Palmas ao compasso, e muita electricidade, com a banda a mostrar, desde logo, que faz parte do corpo das novas canções do músico. A Voo Nocturno voltou para o segundo tema. À terceira música, Jorge Palma sentou-se ao piano e, aí, nasceu o primeiro grande momento desta noite de celebração. A plateia reconheceu as notas de Só e reagiu ainda mais calorosamente. Aplausos são muitos. E alguns cantam com Palma, mostrando saber as letras de cor. Já o esperávamos, mas era chegada a hora da constatação: o triunfo, mesmo com uma voz longe do seu melhor, confirmava-se.
Jorge Palma é um nome que há muito faz parte do imaginário social mas nunca como hoje a sua popularidade foi tão grande. Um Coliseu dos Recreios esgotado há uma semana recebeu em delírio um contador de histórias que tanto retrata Jeremias, O Fora da Lei como se imagina Na Terra dos Sonhos.
Em fase de recordar memórias da juventude, Palma faz-se rodear de uma banda (Os Demitidos) impecável na maneira como transporta as histórias para um som muito próximo dos anos 70, facção Neil Young. Mas Palma é também ele um roqueiro e põe toda a gente a cantar um Dá--Me Lume carregado de electricidade, mesmo que grande parte do público prefira ouvi-lo ao piano.
A noite pôde até servir para apresentar o disco mais bem sucedido da sua carreira (Voo Nocturno), curiosamente um dos menos "abençoados" pelos fãs de longa data. Mas está todo um percurso de 35 anos em causa, singular, diferente de alguns outros cantautores de referência como Sérgio Godinho ou José Mário Branco.
Bem-disposto como sempre, dirigindo-se ao público de forma amiúde e sempre com simpatia, a passagem pelo Coliseu dos Recreios serviu também para comemorar um feito inédito: o de ter chegado ao primeiro lugar do top nacional de álbuns, resultado de anos a fio na estrada e a gravar de forma mais ou menos regular. Ouviram-se todos os clássicos que foi capaz de assinar, cantados em coro até ao último camarote da mais bela sala lisboeta.
Ao contrário do que é habitual num espaço como o do Coliseu dos Recreios em noite de grande festa, a plateia mostrava filas de cadeiras bem arrumadas. Completamente preenchidas. A sala, de resto, compôs-se bem antes do início do concerto, o que não evitou que houvesse os habituais retardatários.
Foram muitas as figuras conhecidas que não deixaram de comparecer numa grande festa. Alguns amigos e companheiros de trabalho, muitos admiradores e os fãs que o acompanham por tudo quanto é sítio. A festa repete hoje, mas com câmaras atentas para futura edição em DVD.
Reportagem de Davide Pinheiro, in Diário de Notícias





