Foram hoje apresentadas as linhas orientadoras da programação do CCB para a próxima temporada. Destaca-se um concerto de Jorge Palma no dia 29 de Fevereiro acompanhado por um quarteto de cordas.
quarta-feira, julho 18, 2007
sábado, julho 14, 2007
Entrevista ao Correio da Manhã
Jorge Palma está inconsolável com o desaparecimento de uma das suas guitarras, a qual tinha para o músico 'um grande valor sentimental' por ter pertencido a Zeca Afonso.
O roubo, alegadamente perpetrado por um jovem de 19 anos de nacionalidade italiana, aconteceu no final de Janeiro, dias depois de um concerto que Palma efectuou em parceria com Manuel João Vieira (a 25 desse mês) no então recém-inaugurado espaço Music Box, em Lisboa.
“Mas a culpa também foi minha”, admite Jorge Palma. “Estive para ir lá buscar a guitarra antes e fui adiando, adiando, até que acabou por desaparecer”, conta em tom arrependido o músico, que diz ter ficado “muito em baixo” com o roubo da sua Martin D-41.
“Andei quase 20 anos para a comprar. Zeca Afonso tocou com ela e por isso tinha, sobretudo, um grande valor sentimental para mim”, acrescenta Palma.
O músico apresentou queixa às autoridades, que, inclusive, terão identificado o autor do crime através das câmaras de vigilância instaladas no Music Box. As imagens apontam para um jovem de nacionalidade italiana que está em Portugal a estudar no âmbito do programa Erasmus. O jovem estaria com mais três ou quatro amigos.
“Mas a questão agora é recuperar a guitarra. Isso era tudo o que eu queria”, reafirma Jorge Palma. É que, numa das várias versões contadas pelo jovem à Polícia, já a teria vendido por cem euros...
Palma, por seu lado, oferece uma recompensa bem melhor: “Estou, inclusive, disposto a dar outra guitarra a quem me devolver essa, que é muito importante para mim.”
Correio Êxito – Basta ver um único espectáculo seu para perceber que tem uma relação muito visceral com o palco. É nele que se realiza?
Jorge Palma – Sinto-me bem no palco. Fora dele sou tímido, em cima dele perco todas as inibições. Deixo a timidez no camarim, quer esteja à frente de mil pessoas ou de meia dúzia.
– Gosta de ir atirando umas ‘bocas’ ao público.
– Gosto sobretudo de conversar com as pessoas. De as olhar olhos nos olhos. O pior depois é para me lembrar das letras.
– Costuma usar cábulas?
– Claro. Sobretudo quando se tratam de canções novas.
– Mas quando tocava no metro de Paris tinha de saber tudo na ponta da língua.
– Sim. Não dá jeito nenhum andar pelas carruagens com as cábulas atrás. Mas também estava quase sempre a tocar as mesmas: Bob Dylan, Leonard Cohen (esse era mais para as esplanadas), Paul Simon, Eagles, sei lá...
– Nunca encontrou por lá o Sérgio Godinho?
– Por acaso encontrei-o uma vez! Estava a comprar tabaco numa estação. Também encontrei o Zeca Afonso e o Pedro Osório.
– Tocou na rua só por uma questão de sobrevivência ou sobretudo pela experiência?
– Pelas duas coisas. Mas sobretudo pela pica.
– Dava para viver do dinheiro que ganhava na rua?
– Uns dias corriam melhor que outros. Às vezes só dava para pagar o hotel. Noutros dias até podia comer ostras. Mas dava sempre para beber umas cervejas num café em Saint Antoine onde os músicos de todo o Mundo se encontravam: da Malásia, do México, de África, gente de todo o Mundo. Era a liberdade total. A única responsabilidade era gozar a vida, uma ‘obrigação’ que vinha do simples facto de estarmos vivos.
– Nunca acordava teso no dia seguinte?
– Muitas vezes. Mas tinha crédito no hotel. Acordava tarde, descia cá abaixo e tomava um pequeno-almoço que na verdade era também o almoço: comia geralmente uma omelete de cogumelos com fiambre e bebia um panaché – uma mistura de cerveja com Seven-Up. Eles sabiam que ao fim do dia vinha com dinheiro e pagava sempre.
– Que relação tem com os excessos?
– Sou, obviamente, uma pessoa de excessos. Talvez porque me deixo ir nas situações.
– Mas consegue pôr o travão a tempo de evitar danos maiores?
– Há o tal ponto limite mas, de facto, às vezes passo um bocadinho para lá. Mas quando quero tenho travões, porque a vida me ensinou. O momento de meter o travão é quando não me lembro do que fiz no dia anterior. Aí é a altura de mandar parar o baile, até porque já não se está a curtir. Então, passo uns dias a beber água e chá. Só que muitas vezes acontece não apetecer parar: até pode estar toda a gente sem dormir há dois dias, sem dizer coisa com coisa, com os olhos amarelos, mas apetece continuar assim...
– Nunca se arrependeu de nada?
– Se fosse há alguns dias, se calhar dizia que não. Mas na verdade há coisas que eu gostava de ter feito melhor.
– Tais como?
– Não foram coisas perversas mas tenho consciência que já magoei pessoas desnecessariamente. Podia ter tido mais jeitinho e mais consciência de que a outra pessoa também existe. Sou de humores variáveis. Salta-me a tampa com muita força e, às vezes, sou um bocado bruto e egoísta, mas tenho consciência disso e passa-me rápido. Isso, aliás, tem tudo a ver com os tais excessos.
– As relações humanas são sempre complicadas...
– Porque passam por sentimentos muito primários, como o ciúme, a desilusão, a solidão, a inveja, as frustrações. São instintos complicados... mas fazem parte da vida. Por isso é que o Mundo está neste estado. Se a gente conseguisse sempre ser um pouco melhor... mas isso tem a ver com a educação, o ambiente em que se cresceu. Há pessoas que nascem sem hipóteses nenhumas. Felizmente eu tive.
– Como lidavam os seus pais com o seu espírito libertário?
– Habituaram-se. À sua maneira, eles tinham também um espírito muito livre.
– Como assim?
– Os meus pais separaram-se na altura em que eu nasci e, como tal, a minha mãe teve de se empregar para que eu existisse. Foi empregada de escritório mas, antes disso, fazia o que as outras meninas todas daquela época faziam: tocava piano, andava de bicicleta, falava francês e sabia bordar. Era muito aventureira. Fartou-se de viajar e visitou países onde eu nunca estive. Depois contava todas aquelas histórias das viagens com um brilhozinho muito especial nos olhos. E a coisa que ela mais gostava era do filho único, que era eu.
– Então tinha muita coisa em comum com a sua mãe.
– Muitas mesmo. Se calhar por isso é que nunca nos demos como Deus e os anjos. Fazíamos faísca.
– E o seu pai?
– O meu pai era diferente. Tinha negócios, era um bom jogador de póquer e cantava – tinha, aliás, uma voz muito melhor que a minha. Ensinou-me imensos tangos e boleros. Enquanto a minha mãe estava ali todos os dias a educar-me, o meu pai aparecia sempre em festa, a guiar com uma mão e a tamborilar uma música no tablier com a outra. Era o ‘curtido’, quando a minha mãe era a ‘chata’. Curiosamente, quando muito mais tarde fui viver com ele, na altura da faculdade, já era mais ‘pai’. Dava-me sermões por chegar a casa às quatro da manhã.
– Depois teve mais irmãos?
– Quatro da parte do meu pai. Dois de uma madrasta e outros dois de outra madrasta. Todos a viverem agora no Brasil.
– Tem dois filhos, sendo que um deles já lhe seguiu as pisadas na música. Que valores procura incutir-lhes?
– A verdade das coisas acima de tudo.
– O seu novo disco, ‘Voo Nocturno’, tem o título de um livro de Saint-Exupéry. Qual a relação com este trabalho?
– É um daqueles livros que li com 18 anos e, depois, nunca mais me lembrei. Mas ficou cá dentro, em memória RAM. E quando estava a fazer o disco, lembrei-me de Saint-Exupéry, a sobrevoar o Quénia na sua avioneta. Nunca dirigi uma avioneta mas não está fora de questão.
– É um disco muito simples.
– É. Ao contrário do ‘Norte’, por exemplo, não tem todos aqueles arranjos de cordas. Era para haver um quarteto de cordas, marcámos, mas depois eu não apareci... Achei que era desnecessário.
– Compõe sempre ao piano?
– Não. À guitarra também: há canções que logo à partida sinto que são mais para guitarra, que o piano é demasiado pesado. Mas ao passo que tenho o Conservatório de piano, à guitarra sei apenas os acordes suficientes para desenrascar, para me sentar numa esplanada e tocar o ‘Blowing in the Wind’. Ah! E as às vezes também componho na esplanada, sem instrumento.
– Como faz isso?
– Vou tirando uns apontamentos.
– E as letras também surgem em qualquer lado, a qualquer hora?
– Sim. Às vezes, no meio de grande confusão, têm-me saído letras boas. Ou já na cama, antes de adormecer. O problema é quando não aponto, por preguiça e, depois, no dia seguinte, já não me lembro de nada, claro! Por isso é que vou tomando sempre umas notas. Escrevo muito nos guardanapos. Há quase sempre um à mão.
– Tal como diz o anúncio, a ‘vida inspira-o’?
– Sim. De todas as suas formas e feitios, nas suas agruras e ironias.
– Para lá da música, como é o dia-a-dia de Jorge Palma?
– É como o das outras pessoas todas. Também tenho de fazer as coisas da vida que todas as pessoas fazem. Por exemplo, tenho de fazer todas aquelas coisas que são um bocadinho chatas: ir ao banco, à Loja do Cidadão, à lavandaria.
– É anarquista por natureza ou só no que toca a burocracias?
– Sou mesmo anarquista! Tenho alguns daqueles defeitos óbvios: a preguiça que, como dizia o Erasmus no seu ‘Elogio da Loucura’, é a mãe de todos os vícios. Pontualidade é para esquecer. Não sou muito disciplinado, mas tenho a organização q.b.. É uma anarquia saudável. De outra forma não estava aqui a dar esta entrevista.
"COM OS AMIGOS JÁ PARTILHEI MUITAS HISTÓRIAS HISTÓRIAS, ESTRADAS E COMBOIOS“
– Rodeou-se de amigos famosos para filmar o videoclipe do tema ‘Encosta-te a Mim’...
– Ainda queria convidar mais. A lista inicial tinha para aí uns 120. Mas não havia a mínima hipótese de entrarem todos: o vídeo só tem quatro minutos. Ficaram apenas 28 e, mesmo assim, já foi uma grande confusão. Muitos deles estavam ocupados com outras coisas, mas arranjaram um tempinho para vir. Foi muito porreiro.
– Os amigos são muito importantes para si?
– São. Com alguns deles – e a maioria estão naquele vídeo – já partilhei grandes histórias, muitas estradas e comboios.
– Que histórias?
– Namoramos muito, quase sempre por telefone. Se estiver a ouvir um disco deles (do Janita, do Sérgio Godinho ou dos Da Weasel) mando-lhes uma mensagem, mesmo que sejam cinco da manhã. Faço muito isto. É uma espécie de namoro. E quando nos encontramos é uma festa. Os meus amigos têm muita pachorra: às vezes torno-me chato. Mas já se sabe, a conversa é como as cerejas...
– E na produção de ‘Voo Nocturno’, também esteve a seu lado um grande amigo, Flak (Rádio Macau).
– Talvez porque fiz a primeira canção (‘Encosta-te a Mim’) ali na rua do Olival, junto às Janelas Verdes, no estúdio dos Rádio Macau. Gravei a voz deitado no sofá e cheguei a pensar que estava a ser original, mas segundo o Flak já alguém tinha feito esse número antes de mim: o João Peste. Então lancei ao Flak o desafio de o produzir. E ele disse... fixe. Ele é sempre aquele companheiro! Com o Flak não preciso de falar muito. Mas as gravações deste disco prolongaram-se um bocadinho demais. Mas nem sempre fui eu o culpado pelos atrasos (risos)...
PERFIL
Jorge Palma nasceu a 4 de Junho de 1950 no típico bairro da Penha de França, bem no coração de Lisboa. Com apenas seis anos, iniciou os estudos de piano. Aos oito, realiza a sua primeira audição no Conservatório Nacional, onde viria a terminar o curso superior. Em 1969, integra o grupo hard rock Sindikato e três anos mais tarde estreava-se a solo, com o single ‘The Nine Billion Names Of God’. Andou pelos Estados Unidos e pelas Caraíbas de guitarra às costas e tocou no Metro de Paris, para além de ter vivido um período de exílio na Dinamarca – para fugir ao serviço militar obrigatório. Até hoje editou mais de uma dúzia de álbuns, onde dá largas à poesia das palavras e dos sons, o que já lhe valeu o título de ‘trovador errante’. É pai de dois filhos, de 11 e 24 anos.
O roubo, alegadamente perpetrado por um jovem de 19 anos de nacionalidade italiana, aconteceu no final de Janeiro, dias depois de um concerto que Palma efectuou em parceria com Manuel João Vieira (a 25 desse mês) no então recém-inaugurado espaço Music Box, em Lisboa.
“Mas a culpa também foi minha”, admite Jorge Palma. “Estive para ir lá buscar a guitarra antes e fui adiando, adiando, até que acabou por desaparecer”, conta em tom arrependido o músico, que diz ter ficado “muito em baixo” com o roubo da sua Martin D-41.
“Andei quase 20 anos para a comprar. Zeca Afonso tocou com ela e por isso tinha, sobretudo, um grande valor sentimental para mim”, acrescenta Palma.
O músico apresentou queixa às autoridades, que, inclusive, terão identificado o autor do crime através das câmaras de vigilância instaladas no Music Box. As imagens apontam para um jovem de nacionalidade italiana que está em Portugal a estudar no âmbito do programa Erasmus. O jovem estaria com mais três ou quatro amigos.
“Mas a questão agora é recuperar a guitarra. Isso era tudo o que eu queria”, reafirma Jorge Palma. É que, numa das várias versões contadas pelo jovem à Polícia, já a teria vendido por cem euros...
Palma, por seu lado, oferece uma recompensa bem melhor: “Estou, inclusive, disposto a dar outra guitarra a quem me devolver essa, que é muito importante para mim.”
Correio Êxito – Basta ver um único espectáculo seu para perceber que tem uma relação muito visceral com o palco. É nele que se realiza?
Jorge Palma – Sinto-me bem no palco. Fora dele sou tímido, em cima dele perco todas as inibições. Deixo a timidez no camarim, quer esteja à frente de mil pessoas ou de meia dúzia.
– Gosta de ir atirando umas ‘bocas’ ao público.
– Gosto sobretudo de conversar com as pessoas. De as olhar olhos nos olhos. O pior depois é para me lembrar das letras.
– Costuma usar cábulas?
– Claro. Sobretudo quando se tratam de canções novas.
– Mas quando tocava no metro de Paris tinha de saber tudo na ponta da língua.
– Sim. Não dá jeito nenhum andar pelas carruagens com as cábulas atrás. Mas também estava quase sempre a tocar as mesmas: Bob Dylan, Leonard Cohen (esse era mais para as esplanadas), Paul Simon, Eagles, sei lá...
– Nunca encontrou por lá o Sérgio Godinho?
– Por acaso encontrei-o uma vez! Estava a comprar tabaco numa estação. Também encontrei o Zeca Afonso e o Pedro Osório.
– Tocou na rua só por uma questão de sobrevivência ou sobretudo pela experiência?
– Pelas duas coisas. Mas sobretudo pela pica.
– Dava para viver do dinheiro que ganhava na rua?
– Uns dias corriam melhor que outros. Às vezes só dava para pagar o hotel. Noutros dias até podia comer ostras. Mas dava sempre para beber umas cervejas num café em Saint Antoine onde os músicos de todo o Mundo se encontravam: da Malásia, do México, de África, gente de todo o Mundo. Era a liberdade total. A única responsabilidade era gozar a vida, uma ‘obrigação’ que vinha do simples facto de estarmos vivos.
– Nunca acordava teso no dia seguinte?
– Muitas vezes. Mas tinha crédito no hotel. Acordava tarde, descia cá abaixo e tomava um pequeno-almoço que na verdade era também o almoço: comia geralmente uma omelete de cogumelos com fiambre e bebia um panaché – uma mistura de cerveja com Seven-Up. Eles sabiam que ao fim do dia vinha com dinheiro e pagava sempre.
– Que relação tem com os excessos?
– Sou, obviamente, uma pessoa de excessos. Talvez porque me deixo ir nas situações.
– Mas consegue pôr o travão a tempo de evitar danos maiores?
– Há o tal ponto limite mas, de facto, às vezes passo um bocadinho para lá. Mas quando quero tenho travões, porque a vida me ensinou. O momento de meter o travão é quando não me lembro do que fiz no dia anterior. Aí é a altura de mandar parar o baile, até porque já não se está a curtir. Então, passo uns dias a beber água e chá. Só que muitas vezes acontece não apetecer parar: até pode estar toda a gente sem dormir há dois dias, sem dizer coisa com coisa, com os olhos amarelos, mas apetece continuar assim...
– Nunca se arrependeu de nada?
– Se fosse há alguns dias, se calhar dizia que não. Mas na verdade há coisas que eu gostava de ter feito melhor.
– Tais como?
– Não foram coisas perversas mas tenho consciência que já magoei pessoas desnecessariamente. Podia ter tido mais jeitinho e mais consciência de que a outra pessoa também existe. Sou de humores variáveis. Salta-me a tampa com muita força e, às vezes, sou um bocado bruto e egoísta, mas tenho consciência disso e passa-me rápido. Isso, aliás, tem tudo a ver com os tais excessos.
– As relações humanas são sempre complicadas...
– Porque passam por sentimentos muito primários, como o ciúme, a desilusão, a solidão, a inveja, as frustrações. São instintos complicados... mas fazem parte da vida. Por isso é que o Mundo está neste estado. Se a gente conseguisse sempre ser um pouco melhor... mas isso tem a ver com a educação, o ambiente em que se cresceu. Há pessoas que nascem sem hipóteses nenhumas. Felizmente eu tive.
– Como lidavam os seus pais com o seu espírito libertário?
– Habituaram-se. À sua maneira, eles tinham também um espírito muito livre.
– Como assim?
– Os meus pais separaram-se na altura em que eu nasci e, como tal, a minha mãe teve de se empregar para que eu existisse. Foi empregada de escritório mas, antes disso, fazia o que as outras meninas todas daquela época faziam: tocava piano, andava de bicicleta, falava francês e sabia bordar. Era muito aventureira. Fartou-se de viajar e visitou países onde eu nunca estive. Depois contava todas aquelas histórias das viagens com um brilhozinho muito especial nos olhos. E a coisa que ela mais gostava era do filho único, que era eu.
– Então tinha muita coisa em comum com a sua mãe.
– Muitas mesmo. Se calhar por isso é que nunca nos demos como Deus e os anjos. Fazíamos faísca.
– E o seu pai?
– O meu pai era diferente. Tinha negócios, era um bom jogador de póquer e cantava – tinha, aliás, uma voz muito melhor que a minha. Ensinou-me imensos tangos e boleros. Enquanto a minha mãe estava ali todos os dias a educar-me, o meu pai aparecia sempre em festa, a guiar com uma mão e a tamborilar uma música no tablier com a outra. Era o ‘curtido’, quando a minha mãe era a ‘chata’. Curiosamente, quando muito mais tarde fui viver com ele, na altura da faculdade, já era mais ‘pai’. Dava-me sermões por chegar a casa às quatro da manhã.
– Depois teve mais irmãos?
– Quatro da parte do meu pai. Dois de uma madrasta e outros dois de outra madrasta. Todos a viverem agora no Brasil.
– Tem dois filhos, sendo que um deles já lhe seguiu as pisadas na música. Que valores procura incutir-lhes?
– A verdade das coisas acima de tudo.
– O seu novo disco, ‘Voo Nocturno’, tem o título de um livro de Saint-Exupéry. Qual a relação com este trabalho?
– É um daqueles livros que li com 18 anos e, depois, nunca mais me lembrei. Mas ficou cá dentro, em memória RAM. E quando estava a fazer o disco, lembrei-me de Saint-Exupéry, a sobrevoar o Quénia na sua avioneta. Nunca dirigi uma avioneta mas não está fora de questão.
– É um disco muito simples.
– É. Ao contrário do ‘Norte’, por exemplo, não tem todos aqueles arranjos de cordas. Era para haver um quarteto de cordas, marcámos, mas depois eu não apareci... Achei que era desnecessário.
– Compõe sempre ao piano?
– Não. À guitarra também: há canções que logo à partida sinto que são mais para guitarra, que o piano é demasiado pesado. Mas ao passo que tenho o Conservatório de piano, à guitarra sei apenas os acordes suficientes para desenrascar, para me sentar numa esplanada e tocar o ‘Blowing in the Wind’. Ah! E as às vezes também componho na esplanada, sem instrumento.
– Como faz isso?
– Vou tirando uns apontamentos.
– E as letras também surgem em qualquer lado, a qualquer hora?
– Sim. Às vezes, no meio de grande confusão, têm-me saído letras boas. Ou já na cama, antes de adormecer. O problema é quando não aponto, por preguiça e, depois, no dia seguinte, já não me lembro de nada, claro! Por isso é que vou tomando sempre umas notas. Escrevo muito nos guardanapos. Há quase sempre um à mão.
– Tal como diz o anúncio, a ‘vida inspira-o’?
– Sim. De todas as suas formas e feitios, nas suas agruras e ironias.
– Para lá da música, como é o dia-a-dia de Jorge Palma?
– É como o das outras pessoas todas. Também tenho de fazer as coisas da vida que todas as pessoas fazem. Por exemplo, tenho de fazer todas aquelas coisas que são um bocadinho chatas: ir ao banco, à Loja do Cidadão, à lavandaria.
– É anarquista por natureza ou só no que toca a burocracias?
– Sou mesmo anarquista! Tenho alguns daqueles defeitos óbvios: a preguiça que, como dizia o Erasmus no seu ‘Elogio da Loucura’, é a mãe de todos os vícios. Pontualidade é para esquecer. Não sou muito disciplinado, mas tenho a organização q.b.. É uma anarquia saudável. De outra forma não estava aqui a dar esta entrevista.
"COM OS AMIGOS JÁ PARTILHEI MUITAS HISTÓRIAS HISTÓRIAS, ESTRADAS E COMBOIOS“
– Rodeou-se de amigos famosos para filmar o videoclipe do tema ‘Encosta-te a Mim’...
– Ainda queria convidar mais. A lista inicial tinha para aí uns 120. Mas não havia a mínima hipótese de entrarem todos: o vídeo só tem quatro minutos. Ficaram apenas 28 e, mesmo assim, já foi uma grande confusão. Muitos deles estavam ocupados com outras coisas, mas arranjaram um tempinho para vir. Foi muito porreiro.
– Os amigos são muito importantes para si?
– São. Com alguns deles – e a maioria estão naquele vídeo – já partilhei grandes histórias, muitas estradas e comboios.
– Que histórias?
– Namoramos muito, quase sempre por telefone. Se estiver a ouvir um disco deles (do Janita, do Sérgio Godinho ou dos Da Weasel) mando-lhes uma mensagem, mesmo que sejam cinco da manhã. Faço muito isto. É uma espécie de namoro. E quando nos encontramos é uma festa. Os meus amigos têm muita pachorra: às vezes torno-me chato. Mas já se sabe, a conversa é como as cerejas...
– E na produção de ‘Voo Nocturno’, também esteve a seu lado um grande amigo, Flak (Rádio Macau).
– Talvez porque fiz a primeira canção (‘Encosta-te a Mim’) ali na rua do Olival, junto às Janelas Verdes, no estúdio dos Rádio Macau. Gravei a voz deitado no sofá e cheguei a pensar que estava a ser original, mas segundo o Flak já alguém tinha feito esse número antes de mim: o João Peste. Então lancei ao Flak o desafio de o produzir. E ele disse... fixe. Ele é sempre aquele companheiro! Com o Flak não preciso de falar muito. Mas as gravações deste disco prolongaram-se um bocadinho demais. Mas nem sempre fui eu o culpado pelos atrasos (risos)...
PERFIL
Jorge Palma nasceu a 4 de Junho de 1950 no típico bairro da Penha de França, bem no coração de Lisboa. Com apenas seis anos, iniciou os estudos de piano. Aos oito, realiza a sua primeira audição no Conservatório Nacional, onde viria a terminar o curso superior. Em 1969, integra o grupo hard rock Sindikato e três anos mais tarde estreava-se a solo, com o single ‘The Nine Billion Names Of God’. Andou pelos Estados Unidos e pelas Caraíbas de guitarra às costas e tocou no Metro de Paris, para além de ter vivido um período de exílio na Dinamarca – para fugir ao serviço militar obrigatório. Até hoje editou mais de uma dúzia de álbuns, onde dá largas à poesia das palavras e dos sons, o que já lhe valeu o título de ‘trovador errante’. É pai de dois filhos, de 11 e 24 anos.
quinta-feira, julho 12, 2007
Jorge Palma na Radar FM
Jorge Palma é o convidado desta semana do programa "Fala com ela", apresentado por Inês Meneses na Radar FM. A entrevista irá ser transmitida sábado ás 12h, e no domingo às 19h. Os lisboetas poderão ouvir a entrevista sincronizando o rádio em 97.8. Todos os outros só conseguirão ouvir através da emissão online em http://www.radarlisboa.fm/.
quarta-feira, julho 11, 2007
Jorge Palma na TSF
Jorge Palma em «voo nocturno»Três anos depois de «Norte», o último trabalho de originais, Jorge Palma edita um novo disco intitulado «Voo nocturno», um regresso às «crónicas cantadas».
(Mário Dias com sonorização de Mésicles Hélin - 10.07.2007)
"tenho ouvido muito este disco e de cada vez que o oiço descubro coisas novas"...
(para ouvir a entrevista clique aqui)
O sucesso do Voo...
Voo Nocturno entrou directamente para o 5º lugar do top de vendas nacionais, segundo a Associação Fonográfica Portuguesa e 1º lugar do top de vendas Fnac. "Encosta-te a mim" é a 2ª canção no I-Tunes e Voo Nocturno o 1º do Top de álbuns. Sendo a quantidade de discos vendidos apenas um indicador, e não uma garantia absoluta de qualidade musical, salienta-se o reconhecimento do público em geral pelo último trabalho de Jorge Palma. Um disco a ouvir...e a descobrir...
quarta-feira, julho 04, 2007
Video do single "Encosta-te a mim"
O vídeo filmado no passado dia 11 de Junho no Museu da Água, um encontro de amigos...
Realização: Luís Leitão
Realização: Luís Leitão
segunda-feira, julho 02, 2007
Jorge Palma na Sic Notícias
A Sic Notícias acabou de transmitir uma reportagem/ entrevista com o Jorge acerca do disco e do clip. Podemos ver alguns excertos do video e também uma entrevista. Tudo isto irá repetir ainda hoje às 20:30 e às 2h00 da madrugada, inserido no programa "Cartaz".
Ver aqui
Ver aqui
domingo, julho 01, 2007
Voo Nocturno na comunicação social
" O mestre ainda canta Deixem Voar este sonho"
'Voo Nocturno' colocado no mercado
Logo ao fim do primeiro cigarro, Jorge Palma confessa-se, inclinando-se sobre o gravador: "A minha vida tem estado muito agitada. Não sou um tipo muito certinho, nunca fui. E a rotina que nunca tive está cada vez mais distante." A "vida real", como Palma gosta de a apresentar, continua a ser fonte de surpresas, uma e outra vez. "Pensei que quando um homem chegasse perto dos 60 anos soubesse tudo sobre a vida. Estava enganado." Então escrevem-se canções para "despistar o destino". Um exercício de autocorrecção, de "autocomiseração, indispensável ao ser humano", que Jorge Palma insiste em manter vivo. Voo Nocturno é o novo álbum do cantautor que hoje é editado. "É um disco pessoal, não o sei fazer de outra forma."
Em 2005, Jorge Palma editou Norte e apresentou-o como manual de sobrevivência, novo rumo para quem se julgava perdido. "Na altura falava sobre o valor da sobriedade, da sua importância para nos fazermos gente." Agora, em Voo Nocturno, o trovador canta "Não tenho nada. Porque arrasei o que não quis em nome da estrada". Quer gozar o tempo que diz ser "pouco e valioso". O dele e o de todos. Olha para o futuro com memória viva do passado, orgulha-se de exageros e e diz que a sobriedade é apenas um estado de espírito. "Sei que podia ter tido uma vida diferente, que podia ter magoado menos pessoas. Mas não me arrependo de nada. No princípio da carreira cantava Deixem Voar Este Sonho. Foi só isso que fiz. E ainda faço."
Iniciou-se nos discos em 1972 com The Nine Billion Names of God. Na altura estava mergulhado em rock - "mais progressivo, Genesis ou Yes". Pegava na guitarra e tocava no primeiro sítio em que pudesse ter alguém para o ouvir. "Se agora não faço planos, na altura muito menos. Era a fase da grande rebaldaria." E para construir Voo Nocturno viajou até ao início, por entre tudo o que aprendeu. Aos 57 anos, sabe que a idade representa "muita informação". O novo álbum está recheado de rock - "sou um rock'n'roller ainda por descobrir", diz--nos - mas passa tanto por "Monteverdi como por Sam The Kid. É preciso é saber processar os dados. Esse é o grande desafio". Ao mesmo tempo, gosta de complicar, de dar a volta ao que está arrumadinho. Aluno de conservatório, aprendeu a ser músico "com o Liszt e o Rachmaninov" e procura sempre o acorde que não surge ao primeiro impulso. Em 2007, Jorge Palma ouve Só, álbum de 1991 com temas antigos reintrepretados ao piano, e pasma: "Há coisas ali que já não consigo fazer, mas inspiram-me." Escreve Olá (cá estamos nós outra vez) continuando a narrativa que iniciou em 1985, com Nunca é Tarde para se Ter uma Infância Feliz. E vai "roubando" o bom que a história da música tem para lhe dar - "O Paul Simon, por exemplo, ainda é um dos meus heróis", diz orgulhoso.
Com o cinzeiro cheio e sem tabaco, pede um cigarro a quem passa. "Jorge, dás-me um autógrafo?" Não tinha mais de 30 anos mas era fã confesso do músico. Palma conhece o seu público e diz-nos: Voo Nocturno "não vai desiludir quem canta os refrões nos meus concertos". Fala em "palmaníacos" e nos muitos blogues "que se escrevem por aí". Oferece-se aos fãs, porque o entendem e o estimam, mas só até ao ponto em que lhe chamam mestre. "Isso faz-me sentir velho. O mestre tem muito peso. Mas percebo-o. É uma questão de respeito, quer dizer que me entendem, que me levam a sério e procuram compreender o que escrevo e canto. Mas não quero ter a responsabilidade de ensinar seja o que for. Ainda estou a aprender e acho que vou continuar a fazê-lo." Toca o telemóvel. Jorge Palma despede-se, um abraço e um agradecimento: "Vemo-nos por aí. Só quando tiver 70 anos é que vou tocar em casinos e hotéis e cantar As Time Goes By. É uma lição de vida."
P.S: No suplemento Ipsilon do Público de sexta feira passada, dia 29, está incluída uma entrevista a Jorge Palma, acompanhada por uma crítica ao álbum; e ainda..na RTP...n' O Primeiro de Janeiro...Sol...Fnac...revista NS de sábado, dia 30, incluída no Jornal de Notícias e Diário de Notícias...DN Madeira...Jornal de Notícias...Correio da Manhã...Diário Digital...Rádio Comercial...Jornal da Madeira...Destak..uma interessantíssima análise feita por Jorge Palma a cada tema do disco no Jornal de Letras de 4 de Julho...Focus...
* este post está em constante actualização dado o volume de informação a que vamos tendo acesso
quarta-feira, junho 27, 2007
Revisão crítica a Voo Nocturno
Jorge Palma está de volta três anos depois de “Norte” com um “Voo nocturno” especial.
O seu melhor disco, na sua própria concepção. “Este foi um disco que correu bem”. É assim que o próprio descreve o seu trabalho. Muito contente, com o resultado alcançado, nós também estamos. De facto o disco é uma pérola. Será discutível se será mesmo o melhor disco de Palma (“Só” continuará ainda a ser uma referência inolvidável), mas se não é, anda lá muito perto. Um disco intimista, construído com arranjos simples, gravado apenas pelo Jorge e os seus “demitidos”, é um disco quase acústico. Um convite a um eco social.
“Encosta-te a mim” é o single do álbum. Quanto a mim, não sendo a canção mais apelativa é uma bela balada de amor, típica de um Jorge maduro e pronto para finalmente, não só, se dar com toda a gente, mas se dar a alguém...
“Voo nocturno” é uma faixa retirada directamente do imaginário de Saint-Éxupery, e fala-nos de um Jorge que se sente mais leve do que o ar e que “só quer resistir”. É um belíssimo momento contemplativo e introspectivo onde a voz de Jorge é obrigada a atacar uma tassitura invulgarmente aguda para o próprio o que não deixa de ser um momento peculiar.
Segue-se “Rosa Branca”, e é um puro rock, com a guitarra eléctrica e o hammond organ a fazer-se ouvir. Um pequenino momento selvagem a lembrar aquele Jorge de outros tempos, do casaco de cabedal e da mota.
O seu melhor disco, na sua própria concepção. “Este foi um disco que correu bem”. É assim que o próprio descreve o seu trabalho. Muito contente, com o resultado alcançado, nós também estamos. De facto o disco é uma pérola. Será discutível se será mesmo o melhor disco de Palma (“Só” continuará ainda a ser uma referência inolvidável), mas se não é, anda lá muito perto. Um disco intimista, construído com arranjos simples, gravado apenas pelo Jorge e os seus “demitidos”, é um disco quase acústico. Um convite a um eco social.
“Encosta-te a mim” é o single do álbum. Quanto a mim, não sendo a canção mais apelativa é uma bela balada de amor, típica de um Jorge maduro e pronto para finalmente, não só, se dar com toda a gente, mas se dar a alguém...
“Voo nocturno” é uma faixa retirada directamente do imaginário de Saint-Éxupery, e fala-nos de um Jorge que se sente mais leve do que o ar e que “só quer resistir”. É um belíssimo momento contemplativo e introspectivo onde a voz de Jorge é obrigada a atacar uma tassitura invulgarmente aguda para o próprio o que não deixa de ser um momento peculiar.
Segue-se “Rosa Branca”, e é um puro rock, com a guitarra eléctrica e o hammond organ a fazer-se ouvir. Um pequenino momento selvagem a lembrar aquele Jorge de outros tempos, do casaco de cabedal e da mota.
“O Centro comercial fechou”, é uma balada ao piano. O momento claramente mais pesado do disco é uma história social. Uma reflexão e uma intervenção aos momentos mais duros deste mundo, mostrando-nos o outro lado da vida, aquele menos bom, mas que também existe.
“Olá, cá estamos nós outra vez” é uma balada ociosa que atira para o passado. Jorge repega uma história antiga começada a contar num outro álbum e aqui dá-lhe uma continuação. Parecendo um mestre da banda desenhada ou do romance que vai buscar as referências antigas que já ninguém lembra e aparecem do nada no presente. A canção é melancólica e triste, mas por outro lado uma canção de esperança. Referências a Fausto ou a processos rítmicos utilizados pelos Da Weasel são assumidos.
“Abrir o sinal”, é um arranjo muito simples em que o Jorge toca o piano e a guitarra e é uma canção decalcada do um original inglês já composto há muitos anos atrás e agora recuperada. A técnica de reciclagem de material é sempre um bom recurso e Jorge sabe bem quando as coisas devem finalmente ver a luz e sair do baú. Belíssimo solo de piano, quase ao estilo de Jazz lounge.
“Gaivota dos Alteirinhos” é uma canção típica de Jorge, romântica que nos conta uma história claramente pessoal. A praia dos Alteirinhos é imaginada, e remete para uma experiência biográfica de Jorge. O acordeão nesta faixa empresta um novo tom a toda a canção tornando-a a mais étnica e a mais puramente portuguesa de todo o álbum.
Segue-se um inédito tema instrumental. Muito em jeito de chill-out lounge, quase um tema para ser incluído num disco do Buddha Bar. Jorge espraia-se pela melhor técnica do que aprendeu recentemente nas suas aulas no Hot Club em Lisboa.
“Abrir o sinal”, é um arranjo muito simples em que o Jorge toca o piano e a guitarra e é uma canção decalcada do um original inglês já composto há muitos anos atrás e agora recuperada. A técnica de reciclagem de material é sempre um bom recurso e Jorge sabe bem quando as coisas devem finalmente ver a luz e sair do baú. Belíssimo solo de piano, quase ao estilo de Jazz lounge.
“Gaivota dos Alteirinhos” é uma canção típica de Jorge, romântica que nos conta uma história claramente pessoal. A praia dos Alteirinhos é imaginada, e remete para uma experiência biográfica de Jorge. O acordeão nesta faixa empresta um novo tom a toda a canção tornando-a a mais étnica e a mais puramente portuguesa de todo o álbum.
Segue-se um inédito tema instrumental. Muito em jeito de chill-out lounge, quase um tema para ser incluído num disco do Buddha Bar. Jorge espraia-se pela melhor técnica do que aprendeu recentemente nas suas aulas no Hot Club em Lisboa.
“Vermelho redundante” é mais uma balada rock, desta vez com letra de Carlos Tê, é mais uma canção de amor, com laivos de sedução dos anos noventa.
“Quarteto da corda” é mais um petisco. Um jazz “maroto” e sedutor em que se conta uma história entre Justina e Baltazar que se entrecruzam com Cleia e Montolivo. Uma misturada das referências literárias de Jorge Palma. Um trocadilho amoroso e jocoso, com a tragédia misturada na criança que não sabe que não vai ter lar.
“Finalmente a sós” é o que se pode chamar um lamento rockado. Jorge, enérgico, grita a plenos pulmões e expande-se no infinito nesta faixa, onde a guitarra eléctrica e o hammond, condizentes, se mostram poderosos.
“A velhice” é uma pequenina canção de menos de um minuto a (quase) fechar o álbum. Um momento cénico resulta de uma colaboração para uma peça de João Lagarto e é um belo Dixie a fazer lembrar uma antiga colaboração também com João Lóio (E como eras linda).
Após tudo isto, uma faixa escondida, desta vez sem rabo de fora. Ruídos de rua começam-se a ouvir, após o que Jorge se apresenta a solo com a guitarra cantando uma naïf canção em inglês. Claramente um regresso ao passado, ao tempo em que ainda cantava no metro de Paris para ganhar o pão.
“Quarteto da corda” é mais um petisco. Um jazz “maroto” e sedutor em que se conta uma história entre Justina e Baltazar que se entrecruzam com Cleia e Montolivo. Uma misturada das referências literárias de Jorge Palma. Um trocadilho amoroso e jocoso, com a tragédia misturada na criança que não sabe que não vai ter lar.
“Finalmente a sós” é o que se pode chamar um lamento rockado. Jorge, enérgico, grita a plenos pulmões e expande-se no infinito nesta faixa, onde a guitarra eléctrica e o hammond, condizentes, se mostram poderosos.
“A velhice” é uma pequenina canção de menos de um minuto a (quase) fechar o álbum. Um momento cénico resulta de uma colaboração para uma peça de João Lagarto e é um belo Dixie a fazer lembrar uma antiga colaboração também com João Lóio (E como eras linda).
Após tudo isto, uma faixa escondida, desta vez sem rabo de fora. Ruídos de rua começam-se a ouvir, após o que Jorge se apresenta a solo com a guitarra cantando uma naïf canção em inglês. Claramente um regresso ao passado, ao tempo em que ainda cantava no metro de Paris para ganhar o pão.
Jorge maduro, de bem com a vida e a recomendar-se, a mostrar o que de melhor sabe fazer. É sempre um prazer tê-lo a voar connosco.
Artigo de Tiago Videira
segunda-feira, junho 25, 2007
Entre "Norte" e "Voo Nocturno"...
Participações em álbuns:
Março de 2005: Tributo a Scott Walker- Angel of Ashes; Jorge Palma interpreta o tema "Two Ragged Soldiers".
Novembro de 2005: Couple Coffee- Puro; Jorge Palma interpreta o tema "Tapete Mágico".
Março de 2006: Sylvie C.- La Vie en Rose; Jorge Palma interpreta os temas " Petit valse de l'adieu", " Um abrigo luso" e "L'homme est un bipéde particulier".
Outubro de 2006: Brigada Victor Jara- Ceia Louca; Jorge Palma interpreta o tema "Chamarrita Zaragateira".
Fevereiro de 2007: Ala dos Namorados- Mentiroso Normal; Jorge Palma interpreta o tema "Bricabraque e Pechisbeque" juntamente com Zeca Medeiros e Nuno Guerreiro.
Março de 2007: Janita Salomé- Vinho dos amantes; Jorge Palma participa no tema " O Banquete", juntamente com Zé Carvalho, Rui Veloso, Vitorino e o próprio Janita, o intitulado "Coro dos amantes do vinho".
Março de 2005: Tributo a Scott Walker- Angel of Ashes; Jorge Palma interpreta o tema "Two Ragged Soldiers".
Novembro de 2005: Couple Coffee- Puro; Jorge Palma interpreta o tema "Tapete Mágico".
Março de 2006: Sylvie C.- La Vie en Rose; Jorge Palma interpreta os temas " Petit valse de l'adieu", " Um abrigo luso" e "L'homme est un bipéde particulier".
Outubro de 2006: Brigada Victor Jara- Ceia Louca; Jorge Palma interpreta o tema "Chamarrita Zaragateira".
Fevereiro de 2007: Ala dos Namorados- Mentiroso Normal; Jorge Palma interpreta o tema "Bricabraque e Pechisbeque" juntamente com Zeca Medeiros e Nuno Guerreiro.
Março de 2007: Janita Salomé- Vinho dos amantes; Jorge Palma participa no tema " O Banquete", juntamente com Zé Carvalho, Rui Veloso, Vitorino e o próprio Janita, o intitulado "Coro dos amantes do vinho".
Palma de todos os cantos
"Livre para criar e ter prazer com a criação: essa parece ser a síntese de Jorge Palma. Por isso não hesita em abrir parênteses para colaborar, generosamente, em projetos nos quais acredita e se sente à-vontade.
A bordo de sua extrema versatilidade, Palma transita confortavelmente entre os mais variados gêneros e obras muito diferentes entre si. Nos três anos que separam “Norte” de “Voo Nocturno”, que chega às lojas na próxima semana, Palma emprestou voz, piano e interpretações elaboradíssimas a trabalhos de artistas tão distintos como Sylvie C., os Couple Coffee, a Brigada Victor Jara, Janita Salomé, Ala dos Namorados.
Jorge agrega a sua marca pessoal a esses trabalhos com enorme respeito pelos amigos que o convidam... e em todas as gravações fica evidente o prazer que ele tem em participar. Uma vez dentro do projeto, não há nada que o desanime: entrega-se em medo algum, salta de qualquer altura – e traz consigo tintas inesperadas, nuances que surpreendem até mesmo os compositores. E além de desafiar-se continuamente em mergulhos aos ritmos mais inusitados em suas próprias composições, seu talento de arranjador o faz enxergar o que fica melhor em cada caso e, assim, desenvolver melhor as potencialidades do conjunto.
E não há canção que, tocada por ele com a voz ou os dedos, não vire ouro. Vale seguir a lista e conferir, com direito a prazeres secretos e grandezas inesperadas."
"Palma de todos os cantos" por Maurette Brandt
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